O Barbeiro: O homem que não estava lá

Ao acabar de ver «O Barbeiro», dos irmãos Coen, apercebi-me que este se tornou num dos meus filmes preferidos da dupla de autores norte-americanos. Mas infelizmente, «O Barbeiro» não possui a popularidade de outros títulos dos Coen, como (por exemplo) «Fargo» e «Este País Não é para Velhos». Não considero justo este facto, porque este filme, apesar de ser um pouco diferente e com algumas características que não são idênticas aos outros dois filmes mencionados, achei que se trata de um excelente filme, de ótimo entretenimento e onde a arte "Coeniana" se eleva a proporções nunca antes imaginadas, com esta incursão dos irmãos no "film noir", numa homenagem a esse género cinematográfico e que, a meu ver, é de se lhe tirar o chapéu!
«O Barbeiro» torna-se num daqueles casos da Sétima Arte em que nos apercebemos que, se o filme não tivesse sido filmado a preto e branco (facto que assenta que nem uma luva ao filme) e feito por estes dois senhores, não seria mesmo nada igual ao que se tornou. Acho interessante como há ainda muitos realizadores que gostam de fazer filmes utilizando métodos mais antigos e que, a uma primeira vista mais descuidada, poderiam ser considerados obsoletos. Mas não são, de todo, e daí, o preto e branco em «O Barbeiro» e as características que os Coen foram buscar ao "film noir" para este seu filme assentam que nem uma luva! E «O Barbeiro» poderia ser uma história simples e desinteressante se estivesse nas mãos de muito realizador que por aí anda, mas os Coen fazem toda a diferença.
Considero cada vez mais, à medida que vou descobrindo mais filmes da sua autoria, que os Coen são uma dupla de autores geniais e fundamentais no cinema americano da atualidade, que se pautam pela diferença e por possuírem um estilo muito próprio e inigualável, do qual eu estou a ficar um grande apreciador. 
O filme retrata a vida de Ed Crane (interpretado por Billy Bob Thornton), um barbeiro pouco simpático e com um grande ar de macambúzio, que se vê metido num sarilho derivado à infidelidade da mulher e também de um homem bizarro que pretende abrir um negócio de limpeza a seco (uma novidade para a época do filme, situado no ano de 1949). A história mostra-se ser mais complexa do que possa aparentar, e acaba também por ser uma reflexão sobre o significado da existência humana. 
A excelente realização dos Coen (premiada no Festival de Cannes) e a brilhante prestação de Billy Bob Thornton, aliada a um argumento muito bem escrito fazem de «O Barbeiro» uma relíquia cinematográfica e que, quer se goste ou não dos filmes dos Coen, tem de ser descoberta.

 Nota: * * * * *

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