sábado, 7 de julho de 2012

Homem na Lua


Andy Kaufman é uma das figuras mais estranhas e interessantes da Comédia Americana dos anos 80. O seu estilo invulgar levou a que fosse muito criticado por uns, e aclamado (muitas vezes, até ao máximo exagero) pelos seus múltiplos seguidores. Kaufman mostrou como as pessoas poderiam ser manipuladas e como tudo do que acreditamos pode não passar de ficção.

Já tinha visto parte de «Homem na Lua», filme biográfico sobre Andy Kaufman, há uns largos anos. Fiquei com curiosidade acerca desta bizarra personagem, e desde então comecei a pesquisar muito sobre ela - muitos dos seus sketches e atuações estão espalhados pelos recantos do Youtube e afins - e agora tive a possibilidade de ver o filme na íntegra. E na minha opinião, Andy Kaufman não era um génio. Jim Carrey, que dá vida ao célebre entertainer, afirma, num making-off extra da edição DVD nacional do filme, que Kaufman é como que «o santo patrono dos comediantes». Mas mesmo assim, apesar de toda a influência de que Kaufman teve - e apesar de ter ficado a gostar mais dele depois de toda a pesquisa feita e de ter visto o filme todo - não consigo ver Kaufman como uma figura ímpar e genial da História do Humor. Tenho a perceção cada vez maior que este indivíduo tinha apenas uma visão muito sua do que era o entretenimento, facto que «Homem na Lua» evidencia muito bem e de uma maneira exemplar.

Andy Kaufman era uma quase-espécie de Ed Wood da Comédia: podia não fazer assim coisas muito interessantes, mas bastou que os anos passassem para se tornar uma figura de culto. Mas a diferença é que Kaufman acabou, no final, por se enquadrar numa situação onde encaixa bem o provérbio «O feitiço virou-se contra o feiticeiro»: o facto de estar sempre a brincar com a realidade valeu-lhe que, a certa altura, as pessoas deixassem de acreditar na veracidade das coisas que ele dizia ou fazia, mesmo que fossem reais (veja-se a cena em que Kaufman tenta informar o agente, a namorada e o seu comparsa Bob Zmuda de que tem cancro, e as reações que eles têm ao ouvirem as suas palavras).

Milos Forman dirige de maneira impecável este «Homem na Lua», suportado por um argumento muito bem escrito e com um elenco de luxo (com Jim Carrey em estado de graça), fazendo com que este filme se tornasse um objeto de interesse por parte dos seguidores de Kaufman ou dos interessados nas lendas da Comédia Americana. «Homem na Lua» é um filme que vale muito a pena. E, tanto se goste ou não deste comediante, o filme é a prova viva de que o objetivo de Andy foi cumprido: a sua carreira não deixou (nem deixará) ninguém indiferente.

Nota: * * * * 1/2

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