Habemus Papam - Temos Papa


Nanni Moretti regressou ao mundo do Cinema com um filme que aborda a vida secreta do Vaticano e todas as particularidades que rodeiam o Estado mais pequeno do mundo, através da história de um Cardeal que, eleito Papa, não se acha possuidor das qualidades suficientes que esse cargo exige. «Habemus Papam» é um filme que surpreende, por ter uma abordagem à vida do Vaticano e ao Catolicismo que não ofende, mas que pretende fazer rir qualquer um e fazer com que os espectadores pensem naquilo em que verdadeiramente acreditam e no que pretendem para as suas vidas. O elenco é brilhante, e toda a construção do filme mostra como Moretti tem vindo a adquirir cada vez mais qualidades na sua “mise-en-scène”, ao longo dos seus filmes. Mas apesar do filme se mostrar bom ao longo da sua duração, ao terminar de o visionar, senti uma espécie de vazio. Não sei porquê, mas o final em si não correspondeu ao resto do filme. Teria de nos dar mais respostas e uma reflexão mais prolongada do problema em questão, mas apenas ficou pela solução mais fácil, e que nos deixa perplexos, sem saber porque é que Moretti decidiu terminar o filme assim, de uma maneira tão simples, quando poderia ter-nos dado muito mais e continuado com as suas paródias, e assim, dar-nos um filme um pouco mais memorável. O filme poderia ter sido feito de outra maneira, e que, talvez, assim este final corresponderia melhor à premissa do mesmo. Mas como não está, talvez «Habemus Papam» poderia ser um pouco mais curto… Contudo, apesar deste pequeno aparte, o filme mostra ser uma boa obra cinematográfica, cujo visionamento passa num instante, e que promete, ao menos, satisfazer os espetadores com uma história simples, que se mostra leve, mas que está carregada de significado.

Nota: * * * *

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