sexta-feira, 27 de julho de 2012

Ed Wood


«Ed Wood» aborda alguns dos passos da carreira cinematográfica de um dos mais desconcertantes, extravagantes e bizarros realizadores que Hollywood deu a conhecer ao mundo (ou aliás, neste caso foi o mundo que o conheceu a ele. Não tivesse sido o «Plan 9 from Outer Space» eleito o pior filme de todos os tempos e talvez a fama de Ed Wood não fosse tão grande hoje em dia). Tim Burton realiza este biopic que não santifica nem crucifica Edward D. Wood Jr. e o seu trabalho, pretendendo apenas dar ao espetador uma visão o mais aproximada possível do que foi a vida deste indivíduo, no período de tempo que envolve a produção da sua primeira longa-metragem, «Glen or Glenda», até à feitura do seu filme mais conhecido, «Plan 9 from Outer Space». No papel de Ed Wood temos o grande Johnny Depp que, num dos mais notáveis desempenhos do seu currículo, consegue tornar-se no próprio homem que está a interpretar, dando muita credibilidade ao filme e ao seu papel. 
A vida de Ed Wood mostra-nos que o Cinema não é apenas feito de heróis, mentes brilhantes que influenciam e mudam a forma de se ver e fazer cinema, mas que também é feito dos anti-heróis, pessoas que, tal como Wood, são apenas conhecidos hoje em dia por filmes de qualidade muito duvidosa, mas que em certa medida até são um exemplo para as pessoas: apesar das ideias estranhas e bizarras que tinha sempre para os seus projetos, Ed Wood quis sempre levar tudo para a frente e não desistir. E independentemente do quão bom pode ser algo que queiramos fazer, acho que, se deixarmos as coisas para trás, nunca poderemos saber se conseguiriamos conquistar algo ou não. É como diz o ditado: Quem não arrisca, não petisca. E na minha opinião, esse foi o grande objetivo de Tim Burton e Johnny Depp com este filme, uma autêntica homenagem ao rei do cinema trash que continua a gerar muitos e muitos fãs. 
Mas com Ed Wood, podemos também aprender duas outras lições, não menos importantes: Como não fazer cinema, mas também, como fazer cinema em altura de crise. É claro que alguém que queira fazer um bom filme não pode usar muitos dos métodos de Wood, que se revelava muito descuidado na realização das suas películas, mas por outro lado, com pouco dinheiro, Wood recorria muito à sua (estranha) criatividade, dando asas à imaginação para criar as mais diversas situações para os seus filmes tentando não ultrapassar os baixos limites de orçamento que planeara para a execução dos seus trabalhos (ainda que, mesmo assim, não conseguia, por vezes, angariar dinheiro suficiente para pagar o que devia). E isso, numa altura de crise como esta, é fundamental. 
«Ed Wood» é um filme muito bem realizado, escrito e interpretado (ao contrário dos filmes de Ed Wood) sobre um homem que, apesar de todas as contradições, queria apenas fazer-se vingar e mostrar o que valia no Mundo do Cinema, através das suas duas grandes inspirações: o realizador Orson Welles (cuja obra-prima, «Citizen Kane», torna-se motivo de grande influência para Wood) e o ator Bela Lugosi (que Wood decidirá resgatar para os seus filmes quando conhece o seu ídolo e percebe o grande estado de miséria e decadência em que este se encontra), interpretado por Martin Landau, num grande desempenho que lhe valeu o Oscar para melhor ator secundário. Este filme revelou-se ser uma grande maravilha que tardei a conhecer, mas que me deu uma perceção mais humana desse mito que é Ed Wood, um homem que deixou a sua marca no Cinema (embora não fosse a mais positiva), e que vivia para conseguir chegar ao topo como os seus dois heróis, que o inspiraram para a carreira cinematográfica. 

 Nota: * * * * *

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