To Kill a Mockingbird: um livro e um filme de se lhe tirar o chapéu!

«To Kill a Mockingbird» é justamente considerado como um dos melhores livros de sempre. Pude concluir (finalmente) a sua leitura hoje (preciso de um ambiente propício à leitura de um livro: hoje consegui o ideal para ler as últimas 50 páginas que me faltavam), e fiquei muito marcado pelas quase 400 páginas que me passaram (atentamente) pelos olhos. A história dos habitantes de Maycomb, centrada no advogado Atticus Finch e os seus dois filhos, a rapariga rebelde Scout e o rapaz em fase de adulto Jem, transmite uma série de valores morais/humanos que não devem nunca ser esquecidos, tais como a lealdade, a coragem e a amizade, negando, por outro lado, o racismo, o preconceito e a irracionalidade do Homem. Harper Lee tem uma escrita inacreditável, o que se torna ainda mais descabido se pensarmos que este foi o único livro escrito pela autora (embora, de vez em quando, a escritora ainda disserte umas ideias num ou noutro jornal). A história é muito bem construída, real (é baseada num caso verídico presenciado por Lee), com grandes frases para a vida dos leitores, diálogos bem estruturados e descrições que nos dão mais pormenores sobre todo o ambiente e as personagens sem terem qualquer intenção de serem cansativas. E Harper Lee criou Atticus Finch, uma personagem exemplar, que se tornou um ícone para muitos gerações por ser, basicamente, uma pessoa como deve ser. O livro contém muitas sub-histórias em torno da mais importante, que envolve um julgamento a Tom Robinson, um negro acusado de violação, e que Atticus aceita defender. «To Kill a Mockingbird» é um livro extraordinário, que nos dá uma visão da América (e do próprio mundo) dos Anos 30, que em alguns aspetos (negativos) se mantém, infelizmente, igual, na atualidade. É um livro que, sinceramente, vale muito a pena.

O filme homónimo, estreado poucos anos depois do lançamento do livro, era inevitável: de uma grande obra teria de ser feita, pelo menos, uma adaptação. Mas esta versão cinematográfica consegue ter o prodígio de não se restringir apenas à simples adaptação da obra, um filme que vemos para complementar a leitura do livro e que, mais tarde, não nos deixará grandes memórias. É exatamente o oposto. Muito do livro foi "descartado" para o filme, mas cada vez mais me apercebo que não devemos comparar livros a filmes. Porque, apesar de ter cortado muitas coisas que eu acharia engraçadas ver transpostas no grande ecrã, o filme de «To Kill a Mockingbird» funciona na perfeição, adaptando todas as partes da história que mais importam ao fio condutor da mesma, e assim, não se extendeu demasiado (muitas vezes as coisas dos livros podem estragar um filme. E vice-versa), limitando-se ao essencial. O filme conta com um elenco de luxo, com Gregory Peck no papel de Atticus Finch (e com esta personagem venceu o Oscar de melhor ator), o argumento está muito bem, e o filme tornou-se tão emblemático como o livro (o que é raro de acontecer - costuma mais ou ser o livro ou o filme). É engraçado como imaginei muitas das personagens e situações do livro da maneira como foram mostradas no filme. Vi logo a fita quando li a última frase do livro, e acho que ambos fazem uma dupla de excelência (e daí fazer a crítica de ambas no mesmo texto). Um livro marcante e um filme marcante, que ainda farão, certamente, as delícias (e as aprendizagens) de muitas gerações.

Nota (para ambos): * * * * *

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