Um Rei em Nova Iorque


Em 1952, devido a (falsas) suspeitas de estar ligado ao partido comunista americano, em plena época de fanatismo como foi a da "caça às bruxas", o génio da comédia Charlie Chaplin é obrigado a fugir do país que o deu a conhecer ao mundo, refugiando-se na Europa enquanto o McCarthyismo perdura nos EUA.
Em 1957, Chaplin realiza, escreve, interpreta, produz e compõe a música de «Um Rei em Nova Iorque», uma comédia que pretende ser uma sátira ao modo de vida e à cultura dos americanos, através de história de um rei fictício, Shadov, que exila-se nos EUA para sobreviver à tirania vivida no seu país. E é nos states que Shadov conhecerá as manias americanas, a publicidade excessiva que inunda tudo quanto é sítio, e o fanatismo deste povo em certos aspetos, que infelizmente permanecem hoje em dia, mas de uma forma diferente. Shadov vai-se ver sem dinheiro (pois o seu tesoureiro fugiu e levou-lhe a massa toda), mas a sua repentina popularidade (devido a um programa de apanhados em que foi a personagem principal) vai ajudá-lo a angariar dinheiro com muitas propostas publicitárias que começam a florescer.

Na minha opinião, o filme é interessante, mas, infelizmente, não conseguiu ser bom, ou tão bom como os anteriores filmes de Chaplin, autor de grandes obras-primas do cinema como «Tempos Modernos», «O Garoto de Charlot» e (o meu favorito de todos) «O Grande Ditador».

Mas, é claro, temos de contextualizar a feitura deste filme com as dificuldades com que Chaplin teve de se debater para o fazer, toda a pressão da rodagem do filme (que, citando o especialista em Chaplin, David Robinson, que faz uma pequena introdução ao filme, dá para se sentir que o filme não foi feito com calma) e claro, os poucos meios que o cómico teve para concretizar a sua comédia. Mas pronto, o filme tem algumas coisas más, e outras coisas boas. Há cenas do filme que são profundamente de génio, mas «Um rei em Nova Iorque» deixa muito a desejar: cenas montadas à pressa, que se sucedem umas às outras sem qualquer objetivo e sim apenas para Chaplin se "vingar" da América, esquecendo-se de alguns pontos-chave de uma obra cinematográfica (como uma história bem desenvolvida), a montagem feita à pressa e um final demasiado curto e pouco trabalhado, fazem com que esta fita não passe do interesse de se a ver uma vez na vida e nunca mais. E penso que, se os últimos dez minutos do filme fossem mais desenvolvidos e tivessem a mesma qualidade que algumas cenas do filme, talvez esta obra pudesse ser mais memorável. Havia tanto para explorar e "atacar". É verdade que as condições não foram as melhores para «Um rei em Nova Iorque» poder ser melhor do que se tornou, mas, pelo menos, Charlie Chaplin deixou uma comédia interessante, que entretém quem a vê, e que também reflete a vida da época e a fase mais turbulenta da vida de um dos maiores cómicos da História do Cinema.

Nota: * * * 1/2

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