Querido Diário

De regresso, mais uma vez, ao universo extravagante e único saído da cabecinha pensadora de Nanni Moretti, com o filme «Querido Diário», uma mistura de documentário, drama e comédia, que valeu ao autor italiano o prémio de melhor realizador de Festival de Cannes do ano de 1994.

«Querido Diário» não pretende ser um filme vulgar, porque não segue a estrutura normal de uma obra cinematográfica, e consegue, em certa medida, reinventar o género: o filme é dividido em três capítulos, cada um deles com uma história completamente distinta: no primeiro, acompanhamos Moretti a passear-se de Vespa pelas ruas de Itália, abordando, em parte, a própria temática do cinema. No segundo capítulo, é-nos dado a conhecer um amigo de Moretti que não vê televisão há já três décadas. Contudo, num pequeno instante, tudo muda, num capítulo que satiriza os hábitos da nossa sociedade. No terceiro e último capítulo, Moretti fala-nos, num misto de realidade e ficção, nas suas deambulações por diversos médicos e especialistas em... coisas... de saúde, para tentar perceber a razão das suas excessivas comichões, numa sequência hilariante e que é bem atual, mais principalmente para nós, portugueses.

«Querido Diário» é mais um grande exemplo da extravagância/criatividade/inteligência do cinema de Nanni Moretti. Apesar de entrarmos nos pensamentos (muito, muito peculiares) do próprio Moretti, torna-se difícil que o espetador não se identifique com, pelo menos, alguns deles, e se ria de outros. Não é de espantar que Moretti tenha uma grande legião de fãs, já que consegue cativar as pessoas com histórias e ideias tão próximas de nós próprios. Um filme que não é para todos os gostos, mas quem quiser experimentar, a experiência vai-lhe trazer alguma coisa nova.

Nota: * * * * 1/2

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