Palombella Rossa

Penso que «Palombella Rossa» não é um filme que toda a gente consiga perceber. Eu próprio tive dificuldade em encaixar o sentido de algumas cenas da fita na minha cabecinha, mas no fundo, consegui perceber a história em geral e o significado que Nanni Moretti pretende transmitir com a mesma. Moretti faz quase de si próprio, sendo Michele, um dirigente do Partido Comunista Italiano, e jogador de pólo aquático com já uma longa "carreira" nesse desporto. Entretanto, um acidente de automóvel obrigará Michele a tentar recordar-se dos motivos que o levaram a praticar o pólo aquático e a seguir a ideologia política que defende, enquanto decorre um jogo decisivo para a sua equipa, em que vai encontrar diversas (e caricatas) personagens: um teólogo, um jovem católico, um sindicalista, uma jornalista e dois indivíduos bizarros que estão sempre a tentar oferecer-lhe tartes.
«Palombella Rossa» é um bom filme de reflexão sobre nós próprios e sobre a maneira como defendemos o que acreditamos. Não é um filme que consiga chegar a toda a gente, o que pode ser uma desvantagem para muitos, mas penso que Nanni Moretti, através de um argumento extravagante, e de um conjunto de personagens também elas extravagantes, conseguiu criar uma boa fita que, apesar de abordar temas que, certamente, não tocarão a todos (e, neste caso, falo do comunismo), é de facto, uma visão cinematográfica de uma realidade que faz sentido para todos nós. Quem é que nunca se sentiu, por vezes, ostracizado por defender um ideal ou um gosto diferente da maioria? Quem nunca se sentiu pressionado (e muitas vezes irritado) com pessoas que não fossem do seu agrado? Daí ser importante o visionamento de «Palombella Rossa», porque faz um retrato original da relação que os seres humanos têm uns com os outros e com o meio em que vivem, e todas as suas condicionantes. É um pouco bizarro, este filme, mas sem dúvida, vale a pena ver.
Nota: * * * *

Comentários