O Delfim

Nos últimos tempos, parece que eu tenho andado melhor com o cinema português, apesar de algumas pessoas ainda dizerem que eu não gosto do cinema do nosso país. «O Delfim» é um bom caso de um bom filme feito na nossa língua. Mas o que é engraçado (e só reparei depois de, aos saltos, ouvir os comentários de João Lopes com o realizador Fernando Lopes ao filme) é como este filme pode ser alvo de algumas comparações com outra obra de Fernando Lopes, que eu vi e que não apreciei: «Uma Abelha na Chuva». E de facto, é verdade: há alguns planos de câmara idênticos, algumas fórmulas cinematográficas são comuns nos dois filmes, etc.

Mas o que falha em «Uma Abelha na Chuva» acerta em «O Delfim»: o elenco é bem melhor, assim como o argumento (da autoria de Vasco Pulido Valente) e a realização, que me parece muito mais segura do que no outro filme mencionado de Fernando Lopes.

Adaptado do romance homónimo de José Cardoso Pires, «O Delfim» narra a história do casal Maria das Mercês e Tomás Palma Bravo, proprietários da Lagoa e da Gafeira, da relação atribulada entre marido e mulher e do ambiente da aldeia que nos faz pressentir que por ali andam fantasmas do passado. Um amigo dos Palma Bravo, regressa no ano seguinte à Gafeira, onde fica a saber da morte de Maria das Mercês e de Domingos, o empregado dos Palma Bravo.

Um bom filme e uma grande obra que marcou o cinema luso, «O Delfim» é curto e incisivo, que não sai da nossa memória e que traz uma ambientação de um Portugal cinzento, triste e sombrio, nos anos 60 do século passado de uma forma muito interessante.

Nota: * * * *

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