sábado, 12 de maio de 2012

Manhã Submersa


OK. Para todos os que pensaram que eu não gostava de cinema português, esta crítica é-lhes dirigida. E porquê? Porque adorei «Manhã Submersa», de Lauro António, adaptação do romance homónimo de Vergílio Ferreira, que faz também ele de ator neste filme, reencarnando o reitor do seminário do universo (muito autobiográfico) que criou para o seu livro, numa atuação, no mínimo, surpreendente.

Mas antes de falar no filme em si, tenho de falar novamente sobre a qualidade do filme. Não da imagem HD ou coisas do género, mas sim, a cópia do filme que foi transferida para o DVD. E que é que eu posso dizer sobre ela? Que é péssima. Mas também o próprio filme em si, pareceu retirado da internet... Irritou-me solenemente estar a ver cenas brilhantes deste filme, e ser de repente incomodado com os grãos a aparecerem constantemente e as falhas da fita. Ou seja, não há restauro de um filme tão importante como este porquê? Para quê lançarem filmes destes se têm uma qualidade "imprópria para consumo", digo-vos eu? Ou então, porque é que ninguém se lembrou de lançar uma limited-exclusive-extended-collector's edition deste filme, onde se poderia incluir a versão feita para televisão do mesmo? Enfim, cenas que só um país como Portugal pode proporcionar.

Agora passo à minha apreciação de «Manhã submersa». Tenho pena que Lauro António não tenha tido uma carreira maior em termos cinematográficos. Sempre gostei deste cinéfilo, sigo as suas atividades no facebook e nos seus diversos blogs, mas, claro, descobri-o por causa da famosa imitação do Herman. Como é sabido, Lauro António é um grande entusiasta do cinema americano, principalmente dos grandes clássicos de autores como Orson Welles, Griffith, Cecil B. DeMile, etc. E, em «Manhã submersa», o realizador (que escreveu também o argumento do filme) soube pegar no melhor do que o cinema clássico americano trouxe ao mundo e à sétima arte, para depois, no final, dar uma abordagem inspirada do cinema vindo dos states, fugindo o suficiente dessa inspiração para não ser uma cópia, e sim, tornando o filme original e seu. O elenco é excelente e muito surpreendente, com uns superlativos Canto e Castro e Eunice Muñoz. E a crítica feroz, levada ao extremo, dos exageros e atrasos da Igreja Católica, foi bem expressa neste filme, que é uma grande obra do cinema português, e uma grande obra da Sétima Arte em geral. Este foi o filme que fez com que Portugal estivesse o mais perto possível de ser nomeado para o Oscar. Mas não é por isso que vale a pena ver «Manhã Submersa». Vale a pena ver por se tratar de um filme inigualável.

Nota: * * * * 1/2

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