Caos Calmo

Nanni Moretti revela-se em «Caos Calmo» como um grande ator, faceta ainda mais reconhecível do cineasta italiano neste filme do que os que foram realizados pelo próprio.

Em «Caos Calmo» seguimos as atribulações de Michelle e da sua pequena filha depois da morte da esposa. E quando chega a altura da filha regressar à escola, Michelle decide esperar todos os dias por ela, à porta do recinto da mesma, sentado num banco de jardim. E nunca uma peça de mobiliário deve ter tido tanto uso num filme: é lá que que surgem pessoas que Michelle vai conhecer e com quem desenvolve uma relação de cumplicidade, e onde os seus colegas do emprego vão ter com ele para pedir conselhos ou para contar novidades da empresa, e que, também, Michelle começa a reaprender a vida e o que ela tem de bom.

A par de uma ou outra cena dispensável (e que, se não tivessem sido a razão principal para muita gente ter visto este filme no cinema, essas partes inusitadas deveriam fazer parte daquele extrazinho dos DVD's que dá pelo nome de...cof cof... «Cenas cortadas») e que para nada servem na ação do filme (retiravam-nas e nada mudava, é que mesmo NADA!) e uma realização por vezes rápida demais que parece não saber aproveitar ao máximo as situações que a história oferece, «Caos Calmo» é uma boa película italiana, humanista e simples, mas que nos deixa uma forte marca no coração (não fosse uma das cenas, cof cof, lá perto do final, e talvez a marca fosse ainda maior) recorrendo a um estilo dramático já usado em muitas fitas célebres italianas, que não precisa de ser lamechas para nos levar uma lágrima ao olho.

Nota: * * * *

Comentários