Alice

Admito: até hoje não vi nenhum filme de Woody Allen que tivesse de considerar mau. Não tenho tido razões para isso. Os dezanove filmes que vi até agora do autor foram uma boa seleção e dela não me arrependo. «Alice» é um dos melhores entre os 19, para mim. Não está no parâmetro das obras-primas, mas é uma grande comédia.

Neste filme, Allen constrói a vida de uma "dondoca" de nome Alice, que passa a vida a fazer coisas fúteis, que para ela têm o maior significado do mundo: ir ao cabeleireiro, falar com as amigas (também elas umas grandes "dondocas"), enfim, a vida de Alice é simplesmente um vazio sem qualquer tipo de interesse. É então que todas as amigas lhe aconselham, para aliviar as dores nas costas, os serviços de um estranho acunpuncturista chinês, que através de um pacote de ervas, vai entrar mais a fundo na mente da senhora e descobrir alguns problemas que lhe vêm na mente. Entretanto, Alice conhece um homem pelo qual se sentirá apaixonada, e é também com a ajuda das ervas do seu novo "médico" que ela poderá descobrir mais sobre essa figura. A pouco e pouco, Alice começa a aperceber-se da insignificância da sua vida. Só faltará é que faça alguma coisa para mudar essa situação.

Woody Allen regressa a cada ano com um novo filme e sabe reinventar-se de uma maneira espantosa: «Alice» é tanto uma comédia satírica de uma classe média nova iorquina habituada a uma diversidade de luxos fúteis e inúteis e a uma vida de consumo desenfreado, como uma crítica inteligente ao amor (mais uma vez, mas sempre com criatividade, Allen aborda o tema) e também, em parte, à religião e às crenças de cada um (também outra vez, mas nunca da mesma maneira - Allen parece que, em todos os seus filmes em que aborda a temática da religião, ela é vista de uma perspetiva diferente). Um grande elenco, encabeçado por Mia Farrow, Joe Mantegna e William Hurt, com um argumento genial de Woody e uma realização do mesmo a que o público já se habituou, «Alice» é uma jóia da comédia, que merece mesmo ser vista.

Nota: * * * * 1/2

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