quarta-feira, 11 de abril de 2012

«Uma Abelha na Chuva»: Como fazer um mau filme

Antes de começar a falar da minha opinião sobre esta adaptação homónima do livro «Uma Abelha na Chuva», de Carlos de Oliveira, gostaria apenas de apontar duas coisas: primeiro, não sou contra o cinema português, muito pelo contrário. E segundo: espero que a minha mísera crítica não ofenda suscetibilidades. E é tudo, posso começar:
Este filme, realizado por Fernando Lopes, foi simplesmente... uma perda de tempo, e, até agora, o pior filme que vi este ano. Aliás, foi o único filme que, até ao presente dia, eu dei uma classificação abaixo de quatro estrelas. Para mim, «Uma Abelha na Chuva» foi uma péssima experiência de cinema. O filme é mau em muitos aspetos: argumento, realização, atores, montagem... ou seja, tudo o que um filme mais necessita para ser bom. Apenas a música do mesmo conseguiu salvar o filme de ser pior ainda.
Para mim, este tipo de filme não é Cinema. Não gosto, e desculpem-me, de um filme que apenas meia dúzia de pessoas consegue perceber (ou porque estudou mais Cinema ou porque tem uma cabecinha mais evoluída), e que vem recheado de publicidade como a grande importância que teve para a evolução do Cinema Português, mais propriamente do Novo Cinema luso, etc, etc, etc. Tenho vindo a aperceber-me que, pelo menos os filmes portugueses que vi, os que "inovaram" o nosso Cinema, ou são medianos ou são, como este, maus. É daqueles filmes que, à semelhança de «Cristóvão Colombo: O Enigma» (que ainda consegue ser piorzinho que este que vi) é curto, não tendo mais de 75 minutos, só que, a meu ver, poderia ser reduzido a uma curta-metragem de 15, no máximo.
E porquê? Porque este filme tem uma data de cenas desnecessárias, repletas de desinteresse e de "arte". «Uma Abelha na Chuva» é um filme tão vazio, tão vazio, mas tão vazio, que, neste momento, apesar de o ter visto há umas três horas, poucas ou nenhumas lembranças tenho do seu visionamento.
É-me difícil arranjar argumentos mais racionais para defender a minha opinião, mas pronto, isto é o que me sai da alma depois de ver uma aberração cinematográfica disfarçada de filme, como é este caso.
Podem-me chamar burro, inculto, estúpido, o que quiserem. Eu não percebi quase patavina nenhuma do filme. Não percebo como e porque é que as pessoas fazem grandes dissertações e inventam as suas próprias opiniões sobre cenas ou planos de câmara completamente desnecessários, maus e idiotas, que apenas têm um significado: nenhum. Inventam fins para as coisas que, na realidade, não existem. Ah, o realizador tal filmou uma parede. "Ui, essa filmagem pretende demonstrar, através de uma metáfora hiperbolizada e com uma pitada de ironia, o agir da espécie humana e da relação entre os seres humanos" (ok, este exemplo foi muito exagerado. Mas ouvi comentários do género, durante a exibição de «Uma Abelha na Chuva», em que os meus colegas davam perspetivas sobre coisas que, para mim, são impercetíveis).
Mas, por um lado, eu não ter ficado nada fã do filme e não ter percebido nada do mesmo até tem as suas vantagens. Porque o visionamento do mesmo deve-se ao facto de irmos estudar o livro em Literatura Portuguesa. O que me vai, ao menos, devolver a experiência da leitura sem saber antes a história e o final da mesma ao ver, primeiro, a adaptação cinematográfica. É como se eu não tivesse passado os olhos sobre este filme. E aliás, se eu tivesse a oportunidade, neste momento, de entrar numa máquina do tempo, a primeira coisa que eu faria seria impedir a mim próprio que visse este filme (e outros também), porque o seu visionamento, para mim, não trouxe nada de bom, que queira guardar para a posterioridade.

Nota: * *

Update 10/02/2013 - revi partes deste filme há pouco tempo e acho que já percebi qual foi o verdadeiro problema que tive com ele (deixo a crítica original como está, apenas faço aqui esta atualização). Disse aí em cima que este era um filme que "meia dúzia de gente compreendia", mas acho que não é esse o defeito de «Uma Abelha na Chuva», porque já filmes que pouco compreendi mas que gostei bastante (por exemplo, o «2001: Odisseia no Espaço»). Teve de passar este tempo todo para eu perceber que um filme não é mau por não ser compreensível, mas sim (e isto vai verdadeiramente de encontro ao que achei do filme na primeira vez que o vi, mas que não consegui verbalizar propriamente) pelo facto de nada transmitir. Para mim um filme tem de transmitir algo. Pode ser a maior seca do Mundo, mas tem de transmitir alguma coisa (veja-se, por exemplo, «A Árvore da Vida», que divaga muito mas que quer estar ali a passar uma mensagem). E «Uma Abelha na Chuva» nada transmite. É exatamente como olhar para uma parede: nada está lá, as pessoas é que inventam significados. Vários realizadores têm vivido constantemente desses elogios da crítica elaborando filmes completamente vazios e que em nada acrescentam à minha visão do Cinema. São filmes que, se não existissem, estaria tudo na mesma. E «Uma Abelha na Chuva» é também outro desses filmes. O realizador Fernando Lopes fez filmes bastante melhores (como por exemplo «O Delfim», que já comentei aqui no blog há uns tempos), e esses sim devem ser vistos. Não estas tentativas falhadas de fazer um filme com algum significado para quem o vê... But it's just my two cents.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Se chegaram até aqui e tiverem alguma mensagem, crítica, ou opinação a fazer em relação ao que acabaram de ler, façam o favor de o escrever aqui. A gerência agradece e responde (se não forem nenhum príncipe da Malásia que tem 10 milhões de dólares para me oferecer, claro).