Um dia de cão



Sydney Lumet é um realizador que cada vez mais aprecio. Simplesmente adorei os dois outros filmes realizados por este senhor («Serpico» e mais recentemente «Network»). Gosto da forma como conta uma história. Sabe como, através de algum ângulo de câmara, de algum truque de montagem, pode dar mais intensidade a uma cena, alterando consideravelmente a mesma e tornando-a única, inesquecível e inimitável.
Já tinha comprovado isto nas duas outras fitas que já tinha visto de Lumet, mas «Dog Day Afternoon» foi a confirmação que eu esperava. Lumet volta a fazer parceria com Al Pacino depois de «Serpico». E, se nesse filme, Pacino interpretou (brilhantemente) um polícia incorruptível americano, desta vez o lendário ator dá corpo a um homem que, juntamente com o seu parceiro, interpretado por John Cazale (e um terceiro sujeito que, covardemente, desistiu do que estava planeado), decidiu assaltar um banco. O motivo? Esse não conto, pois já seria um spoiler demasiado grande para o caso de algum de vós tiver curiosidade em ver (ou rever) este filme. Posso só acrescentar que este filme foi, curiosamente, baseado numa história verídica, mas é claro, teve a adição de muita ficção no mesmo, como por exemplo nos nomes das personagens e na relação que as mesmas têm umas com as outras.
O que achei curioso é que o argumento (excelente e vencedor de um Oscar) não faz uma espécie de prólogo ao assalto (como acontece em muitos filmes que envolvem esse tipo de patifaria), do género de: os indivíduos conhecem-se, preparam engendrosamente o plano, etc. Não! Lumet (e toda a sua equipa) decidiu começar «Dog Day Afternoon» com uma pequena sequência de imagens de um dia normal da cidade de Nova Iorque. E logo a seguir, tumbas! É o assalto.
«Dog Day Afternoon» é uma comédia que não pretende passar por isso (embora tenha grandes momentos sujeitos ao riso do espetador), estando misturada com thriller e drama. A realização e a montagem são muito envolventes, elaboradas e diferentes do que a maioria dos realizadores talvez preferisse usar na feitura deste filme. Sydney Lumet não usa rodeios na sua história, tentando contar tudo da forma mais pura e dura possível. Este é um excelente filme (com uma classificação etária algo exagerada, penso eu) e que não deve ser esquecido.

Nota: * * * * *

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