quarta-feira, 25 de abril de 2012

Maridos e Mulheres

Woody Allen regressa a um registo mais dramático neste seu filme «Maridos e Mulheres», a décima sétima fita que visionei do autor norte-americano. Neste filme, Allen volta a pegar no tema das relações humanas, pela milésima vez, é certo, mas, de novo, de uma forma original e surpreendente. Em «Maridos e Mulheres», são dados a conhecer ao espetador dois casais, e sabemos logo no princípio do filme que um desses casais conta ao outro casal que se irá divorciar. Depois disto, poderemos ver que as personagens de Mia Farrow e Woody Allen (o outro casal) irão questionar-se elas mesmas se o seu casamento ainda fará sentido (o que pode ser visto como algo interessante, se tivermos em conta que, quando este filme saiu, a relação amorosa entre Allen e Farrow já tinha acabado, devido àquela "polémica" que todos nós conhecemos). E, a partir desta história, Woody Allen (que é aqui, mais uma vez, realizador, argumentista e ator do seu próprio filme) explora o valor do casamento e das relações amorosas dos seres humanos, através das ilusões e desilusões das quatro personagens principais e de como tudo muda entre elas após a notícia do divórcio de um dos casais. Allen dá ao filme um estilo de (falso) documentário, o que dá, em certos aspetos, mais realismo ao seu filme, e por isso, se tornará mais fácil com que qualquer um de nós se identifique com o que se está a passar no ecrã. «Maridos e Mulheres» mostra a ironia da vida e de como, muitas vezes, os nossos próprios pensamentos e desejos podem ser enganadores. Um ótimo filme dramático, que nos mostra que Woody Allen consegue ser brilhante tanto na comédia inteligente, como nos dramas mais profundos sobre a existência humana, fugindo um pouco à sua personagem neurótica que é quase que um alter-ego dele próprio, e que costuma envergar na maioria dos seus filmes.

Nota: * * * * 1/2

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