Flags of Our Fathers - As Bandeiras dos Nossos Pais


Cada vez gosto mais de Clint Eastwood, tanto o ator como o realizador. Mas penso que o que é mais importante em todo o seu trabalho são os (magníficos) filmes que dirige só por detrás das câmaras (na maior parte das vezes).

«Flags of our fathers - As bandeiras dos nossos Pais» é um desses filmes que só um particular realizador poderia executar, pois que, se caisse em outras mãos, seria completamente diferente. Este filme é um retrato do tempo da II Guerra Mundial, focando em particular três sobreviventes do conflito em Iwo Jima, que rapidamente se tornaram famosos por causa de uma fotografia que lhes foi tirada a hastearem uma bandeira dos EUA, no solo da ilha japonesa. A propaganda da imagem trará uma imagem de vitória e esperança aos EUA, e as fortes aderências da mesma junto do público serão maiores do que se poderia imaginar. Contudo, e como já é habitual, a história verdadeira da fotografia não é esta. E os três sobreviventes terão de suportar a (passageira) popularidade, aproveitando a oportunidade que lhes foi dada de os tirar do sangrento combate em Iwo Jima. Contudo, os minutos de fama não passam dos cinco, e a partir daí, nenhum dos três "heróis" da guerra voltarão a ser agraciados pelo povo, pelo governo e pelos investidores.

«Flags of our fathers» constitui, além de um exato retrato da América dos anos 40, um estudo sobre o efeito que os media podem ter na nossa forma de ver as coisas. A fita mostra-nos também todo o jogo de interesses que rodeia uma guerra, e os exageros que uma breve fama pode causar e também o preço a pagar por ela. Destaco, além das interpretações e do realismo dado à ação por Eastwood, a espantosa fotografia do filme, que já foi usada noutras obras do realizador/ator, e que se torna também muito adequada para "pintar" todo o ambiente, dentro da batalha de Iwo Jima e nos States.

Nota: * * * * 1/2

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