sábado, 7 de abril de 2012

Esplendor na estação de serviço: um apontamento sobre os altos e baixos da indústria petroleira

A cada dia, hora, minuto que passa, e que eu vejo, ouço ou leio as mais recentes notícias sobre os novos aumentos (ou as novas descidas) do preço do "gasoil", fico cada vez mais convicto da minha opinião (que muitas pessoas já me disseram que, com o tempo, irá mudar) de que não necessitarei de ter um carro para viver. Antes de mais nada, adquirir um veículo automóvel é uma carga de trabalhos, e eu, também, não sinto aquela vontade que muita gente da minha idade tem de querer entrar num carro e poder mexer nas mudanças, no acelerador e no travão, e claro, no volante. Não sei, não me sinto muito à vontade de estar "dependente" desse meio de transporte de quatro rodas. É o "gasoil", são as portagens (principalmente as scuts, que também me parece que não estão a passar bons dias), é a revisão do carro, os problemas que pode ter (ainda outro dia, íamos sair de casa, e tumbas! Um pneu furado. Tivemos, claro, de ir à oficina... e cem euros foram deixados na caixa registadora do estabelecimento pela mudança do pneu), enfim, não vejo muitas vantagens de adquirir um carro. Eu gosto muito de andar a pé, e quando uso transportes, até prefiro ir de metro ou autocarro (embora também tenham subido em flecha!). E se alguma vez quisesse mesmo ter um transporte meu, seria um mais económico, leve e pequeno. Ou um Smart... ou uma Vespa. Não sei se a minha opinião vai, ao longo dos anos, mudar. Mas talvez, daqui a uma década (ou menos) irei reler este post e comprovar se me mantenho com as mesmas ideias ou não. Mas de momento, ter carro, ou conduzir um, não me interessa muito. Tenho mais que fazer.
Escrevo isto depois de, há cerca de três minutos, ter visto, no televisor da sala, (onde presentemente estou instalado a escrever esta crónica) que o preço de um litro de gasolina aumentou para um euro e setenta cêntimos. Sim, chegámos a uma altura em que comprar o Record sábado e domingo e trazer um DVD "grátes" para casa e atestar o carro com um litro de gasolina, é a mesma coisa (e, no caso do metro, até fica mais barato!). Já é costume ouvir-se falar desta problemática todos os dias. E - espanto! - há guerras por causa do petróleo. O que é uma estupidez, penso eu. Não é isso que vai impedir que o mesmo tenha um preço tão inconstante. Se já o próprio conceito de conflito (interno oun externo) é, para mim, uma idiotice, para este novo século que estamos a viver, então se é por causa de um líquido pestilento que, parece, dá muito dinheiro, é duplamente ou triplamente (ou mesmo nonaplamente) estúpido.
O que ainda é mais caricato é a forma como o petróleo pode mudar a vida de quem o encontra, acidentalmente ou não. Lembro-me, de momento, de um dos últimos filmes que vi: «O Gigante» (1956) de George Stevens. Nessa fita, o personagem (brilhante) interpretado pelo (também brilhante) ator James Dean, ao andar, durante algum tempo, a pesquisar um pequeno terreno que lhe foi dado por herança de uma irmã do personagem de Rock Hudson, descobre, de repente, petróleo. E, com isso, conseguirá ser muito mais rico que a família que, ao principio, quase o sustentou, e o mudará completamente, tornando-o um magnata do petróleo que se tornará uma espécie de "inimigo" do casal principal do filme. Interessante, não é? É claro que este é um caso básico, mas também me lembro de uma sátira que achei genial, de Hergé, no livro «Tintin na América»: quando os "amaricanos" compram o terreno dos índios por tuta-e-meia por causa do petróleo acidentalmente descoberto pelo repórter Tintin, e, muito pouco tempo depois, todo aquele terreno, verde, alegre, repleto de ar puro e de vida selvagem, é transformada numa gigantesca cidade industrial, que gira toda ela à volta do... petróleo. Dá que pensar... Este segundo exemplo pode conter algum exagero, mas ao fim e ao cabo, transmite o modo como toda uma sociedade pode mudar devido a essa coisa do petróleo. Que é uma autêntica porcaria, diga-se.
Para acabar esta crónica, gostaria só de vos dizer que penso que, numa época como esta, o uso do carro deveria ser mais moderado. Senão, chega-se a extremos de se ligar o veículo para ir até ao café da esquina ou ir comprar um maço de tabaco (coisa que eu, claro, sou também veemente contra). Andai a pé! Aproveitai para descobrir novos odores que não o cheiro a mofo do vosso carro (algo que me enjoa mesmo é esse cheiro horrível e putrefacto que alguns carros - como é o caso do dos meus pais - persistem em emanar apesar de terem já sido adquiridos há meia década) e não permaneçam, todo o vosso dia, sentados. Em casa, e a seguir a conduzir o vosso veículo. Andem de bicicleta, de skate, de triciclo, de trotinete, sei lá, se necessitarem mesmo de rodas para fazerem a vossa vida quotidiana.
E que venham mas é os carros elétricos ou que funcionem com energia solar ou lá o que seja. Isso é que é preciso! A ver se a sociedade anda para a frente neste aspeto, de uma vez por todas.


(e já agora, uma boa Páscoa para todos vós. E sim, se for o caso de, como a minha família, irem ou hoje ou amanhã de viagem até casa dos vossos parentes, levem lá o carro, pois. Mas cautela com as despesas, ouviram? Isto anda tudo muito caro, mesmo. É claro que reconheço qualidades no uso do automóvel, mas por mim, estou bem com os meus obsoletos pés. Bom fim de semana!)

2 comentários:

  1. AHAHAH!!! Muita bom! Gostei mesmo, Rui!!! Apesar de ter carro, gosto também muito de andar a pé. Mas sorri-me, com prazer, lendo a crónica tão sincera e bem ilustrada pelos exemplos dados. Obrigada!

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  2. Tia, muito obrigado pela atenção e por todos os comentários! :)

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