segunda-feira, 26 de março de 2012

Zelig: Como manipular a realidade

E cá temos Woody Allen em mais uma experiência inovadora e muito bem executada. Para quem nunca tenha ouvido falar nesse Senhor durante toda a sua vida e que lhe seja mostrado este filme, «Zelig», esse indivíduo talvez possa pensar que pôde ver um documentário sério e real. Mas não. Apesar das muito sofisticadas técnicas de manipulação de imagem (que nos fazem pensar estar a ver filmes americanos de arquivo dos anos 20, alternados com entrevistas a pessoas "reais", que conheceram e que tomaram contacto com a personagem que dá título a este mockumentary.
Mas o humor de Allen está lá. As piadas subtis e inteligentes, bem ao género do autor, marcam bem presença ao longo de toda a película, que aproveita para pegar na sua criação fictícia para fazer uma crítica bem atual à sociedade através da história de um homem que padecia de um problema grave: o facto de mudar de personalidade consoante a pessoa com quem estivesse a lidar.
Woody Allen pega num género que (thanks again Wikipedia!) já tinha experimentado antes com «O Inimigo Público», e mais recentemente com «Através da Noite», sobre um músico cujo ídolo é o artista real Django Reinhardt. E sai-se, mais uma vez, brilhante, criativo, original, hilariante e inteligentíssimo. Uma notável lição de manipulação, de cinema e de comédia.

Nota: * * * * 1/2

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