sábado, 24 de março de 2012

Uma família à beira de um ataque de nervos

Fiquei absolutamente espantado com «Uma família à beira de um ataque de nervos» (que, como podemos comprovar, é uma magnífica - e fiel - tradução do título original, «Little Miss Sunshine». Este fenómeno é, como todos sabemos, já vulgar nos filmes estrangeiros que estreiam em Portugal, mas pronto, até que este título tuga nem soa mal!), uma comédia dramática norte-americana, de 2006, que é simples, mas que tem uma história muito divertida, humana e original, com um elenco que não lhe fica nada atrás, e aliás, que assenta que nem uma luva! O filme foi alvo de grande aclamação da crítica e do público na altura em que estreou, e percebe-se porquê: acho que, na atualidade, é raro conseguir fazer-se uma boa comédia sem se pegar em temas mais obscenos ou que são mais fáceis de ser trabalhados (e não quero criticar esse tipo de comédias, atenção). Mas «Uma família à beira de um ataque de nervos» não fala sobre um grupo de amigos que se embebeda e no dia a seguir não sabe onde foi parar, nem tem como protagonista um indivíduo do Cazaquistão preverso (e eu gosto dos dois filmes que têm, cada uma, um destes elementos como parte da sua sinopse!). Esta fita é sobre uma família, disfuncional, é claro (se não fosse por isso, perderia toda a graça), e além de abordá-la com inteligência e sem cair em qualquer cliché desnecessário, consegue fazer uma boa mistura entre o humor e o drama que a própria história inclui, tornando-se assim muito mas muito melhor do que muitos outras... coisas, disfarçadas de "filme", que por aí andam, que também falam de uma família que anda a viajar num veículo automóvel (refiro-me, por exemplo, a «Com a casa às costas» com Robin Williams, um filme do mais seco e vulgar que há). Enfim, queria apenas recomendar absolutamente «Uma família à beira de um ataque de nervos» a toda a gente. Sim, a toda a gente, independentemente dos gostos cinematográficos, porque tenho a noção que este é dos poucos filmes que transcendem a qualquer gosto ou opinião. Podem não achar o filme excelente como eu achei, mas mau é que não vai ser, de certeza.

Nota: * * * * *

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