sexta-feira, 23 de março de 2012

Friday night: retrato do adolescente comum por um indivíduo que está bem é no conforto do lar, a mal dizer sobre os da sua "espécie"

E pronto, como tem vindo a ser hábito nestas minhas crónicas sobre... alguma coisa, eis aqui mais um parágrafozinho com letras tão "piqueninas" que vos obrigam a colocar (para quem usa, claro) o que os espanhóis chamam de "gafas". Ou então, como estas letras são portadoras de uma pequenez tão... pequena, até as pessoas com visão HD 3000 e picos talvez terão de recorrer ao auxílio de um par de oculinhos. E até podem ser daqueles do 3D, que são adquiridos nos cinemas. Força aí! Enfim... e o que é que eu ia falar nestas linhas? Bem, supostamente... nada. Foi só para encher espaço. Porquê? Queriam que eu falasse desta bola de luzes? «Ai tão bonita que ela é! Faz-me logo ter vontade de ouvir aquela música da Barbra Streisand!». Não! Olhem-me estes! Pff... ide ler mas é o texto em si e larguem estas linhas antes que a vista fique pior que estragada!


Para os mais distraídos, estamos numa sexta-feira. E esta sexta-feira é muito especial para muitos jovenzitos da cidade de Lisboa (e, penso eu, de todo o país). É claro, é o último dia de aulas! Quem é que não fica contente com uma coisa dessas, hmm? Que s'acuse!
Mas o que eu acho é que muitos adolescentes devem ter-se esquecido da principal "efeméride" desta sexta-feira em detrimento de outra, que na minha opinião, é mais infeliz: como é o último dia de aulas, isso implica (não é provável nem incerto, é obrigatório!) uma saída a uma qualquer discoteca de Lisboa, para ouvir ruídos a que essas pessoas chamam de... música, para no dia a seguir acordarem com uma grande dor de cabeça (e muitos, de ressaca) e dizerem «ia lol xD mequié? esta noite foi de laika bauses e catanos rsrsrs e o camandro!».
(para o vulgar ser humano não-adolescente, a frase acima transcrita necessita de tradução: ao emitir esse conjunto de palavras organizadas de uma forma estranhamente peculiar, o objetivo do adolescente foi dizer que a noite passada foi muito boa para ele. Sim, apenas isso. Mas o que sei ainda melhor é que, depois de acordar, por volta das... duas da tarde, já nem se lembra de nada e ainda por cima, pode ter-se esquecido quem é que é. E isto é grave, leitores!)
É claro que vós já tereis percebido (peço desculpa pelo mau uso da 2.ª pessoa do singular, mas posso dizer que é de propósito) que este androide proveniente de uma raiz de alface, que se encarregou de escrever estas linhas, não suporta nada esse tipo de ambientes, encafuados, ruidosos, e semelhantes a dezasseis pessoas estarem apertadas dentro de um smart for two (será que é possível? Chamem o Júlio Isidro. Se ele conseguiu meter mais de seis dezenas de pessoas dentro de um Mini...), com a agravante de estarem todas a abanar a cabeça ao mesmo tempo (por uma qualquer razão que escapa ao autor desta playlist irónica de palavras), enquanto estão estacionados em frente a uma gráfica de jornais e revistas (eu já estive numa, e tenho mesmo a audácia de comparar a "música" daquelas máquinas ao ruído das "músicas" emitidas em discotecas - repararam? dois sentidos para a palavra música! Sou tão esperto... - , que se resumem a um tipo mexer no computador, sair de lá uma gravação idiota que toda a gente irá ouvir, e que depois irá adicionar uma gravação de voz ridiculamente minúscula - como, por exemplo, essas duas palavras que deram origem à "música" Barbra Streisand - e repeti-la, no mínimo, umas trezentas mil, quinhentas e quarenta e sete vezes).
Mas calma aí! Uma coisa é não gostar de discotecas. Outra coisa é não gostar de sair à noite. Eu não me importo de deambular pela cidade, ir a qualquer sítio que a mente humana possa imaginar (incluindo, por exemplo, um descampado perto do pavilhão do Casal Vistoso, que foi alvo de visita minha e de dois colegas meus no - já distante - sétimo ano). Mas gosto de estar livre! Não dentro desses locais que cheiram a algo semelhante a uma mistura entre vómito, bebidas falsificadas (uau, parece que estou a falar da Lei Seca dos Anos 30!), mau hálito (muitas vezes proveniente das pessoas que deitaram cá para fora o vómito), fumo vindo não-sei-donde-mas-provavelmente-de-muitos-sítios-nomeadamente-pessoas-que-fumam-aquelas-coisas-que-se-chamam-cigarros-e-que-parecem-que-causam-cancro-e-matam-seres-humanos-mas-mesmo-assim-continuam-a-ser-"bestsellers"-da-cultura-adolescente, o barulho provocado pela música (que, sim, é tão mau que cria o seu próprio cheiro) e ainda, pratos mal condimentados.
Das pouquíssimas discotecas em que, até hoje, tive a "oportunidade" de pôr lá os pés, não trago grandes recordações, e as que trago, não são das mais felizes. Não sei se por aqui já contei de um estranho episódio ocorrido numa saída à noite numa visita de estudo ao Porto. Não? Então passo a contar: pago três euros e meio para entrar (com isso dava para comprar um almoço, pff!), e descubro que tenho direito a uma bebida. Como eu não suporto bebidas alcoólicas (chamem-me idiota, ó adoradores de discotecas, mas chamem mas é primeiro a senhora das limpezas para "apagar" a porcaria que acabaram de expelir das vossas bocas neste momento), decidi-me ir ao balcão e pedir... uma Frize. Sim, essa bebida totalmente prejudicial ao fígado de quem a bebe, por ser constituída por... água, açúcar, e, neste caso, uma pitada de limão. Ora, o que aconteceu é que o empregado percebeu que eu disse que eu estava ali para beber um fino - sinónimo, no vocabulário nortenho, de cerveja -. Então o homem estende-me a cerveja, eu fico a olhar para ela (já estava cansado, daí também a minha reação ter sido muito lenta), e entretanto, ele pisga-se para ir fazer aquela atividade a que eu denomino de não-sei-quê. Eu fico a olhar para a cerveja, levo-a para a mesa onde estava sentado (mais umas amigas minhas), provo-a (e assim, consegui provar a mim mesmo que tinha razão: que cerveja, para as minhas papilas gustativas, é... má) e pergunto-lhes a resposta para o meu dilema. Entretanto, aparece outra colega minha, mais virada para as andanças para as quais eu não estou nada interessado, e uma delas diz «Olha! Dá-lhe a cerveja que ela andava a pedir!». E a miúda leva a cerveja, toda contente, e dez minutos depois volta, completamente alterada e quase a atirar-se para cima de mim. Figuras deprimentes para resultarem em más disposições e ressacas estúpidas? Pois é, o que aquela malta gosta!
Para variar, eu critiquei aqui este tema à minha maneira. Desculpem se ofendi alguém, mas eu sou assim. E acho que há coisas, na adolescência, que possuem grandes quantidades de idiotice. Deveria haver uma versão de «Seinfeld» totalmente dedicada a esta fase na vida de qualquer ser humano. Era capaz de ser giro.
Mas enfim, desejo a todos umas boas férias, à mesma. Divirtam-se à vontade - não façam é figuras tristes, ou porque acham que é giro ou porque os vossos amigos puseram-vos na cabeça que é muita porreiro e muita LOL. Aproveitem estes 15 dias para fazerem alguma coisa de jeito, sim?
Vá, agora este rato de biblioteca cala-se e não volta a pegar no assunto. Com licença.

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