Network - Escândalo na TV

Acho que, antes de ver «Network - Escândalo na TV», nunca tinha visto uma sátira tão inteligente, elaborada e profunda sobre o mundo da televisão e do sensacionalismo que este meio de comunicação gosta de usar, na maior parte dos casos, para satisfazer as audiências, famintas desse género de "entretenimento". Realizado por Sidney Lumet (responsável pelo extraordinário «Serpico», com Al Pacino num dos seus melhores papéis), «Network» segue o quotidiano de uma estação televisiva americana fictícia, a UBS, e todo o esquema que a administração do canal monta usando Howard Beale, um locutor de telejornal já um pouco senil para criar um programa de televisão sensacionalista e de qualidade duvidosa. Numa escalada até ao topo da popularidade televisiva, Beale torna-se numa espécie de profeta do povo, usando a arte do mal-dizer para chegar ao público, que se identifica com aquele velho maluco que amaldiçoa tudo e todos.
O que mais me impressionou em «Network» foi, sem dúvida, o argumento, excelente, que, através de uma sátira cómico-dramática, ridiculariza ao máximo os exageros levados pelos diretores da UBS para conseguirem audiências e lucrarem o mais que conseguirem pôr nos bolsos. Este filme brilhante faz-nos também pensar. Será que é possível chegar-se ao extremo a que esta estação de TV chegou, tudo para benefício próprio e não para o benefício do Mundo? Será que a Humanidade chegará a um ponto de obsessão pelos seus próprios interesses e não pelo que interessa a todos? Com tudo isto, acho que vale muito a pena ver todos os 116 minutos de «Network - escândalo na TV», um filme de génio, raro, original e atual, que não é por menos que figura em muitas listas dos melhores filmes de sempre (como é o caso da do American Film Institute), por ser inovador e ter contribuído para uma visão mais realista e atenta do mundo da caixa mágica.
Nota: * * * * *

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