segunda-feira, 26 de março de 2012

Blade Runner: Perigo iminente

Se há uma coisa que me irrita solenemente em DVD's é o facto das editoras pretenderem vender a versão modificada de um filme como se fosse o original e não como um extra do mesmo. Falo disto porque vi a Director's Cut de 1992 de «Blade Runner» (se não fosse a Wikipedia, nem saberia que o Ridley Scott decidiu fazer outro Cut, mais recentemente), e não gostei de ver que o DVD tinha apenas esta versão e não a original. É como o DVD que tenho cá por casa do «Cinema Paraíso». Afirma-se como a versão de cinema do filme, vai-se a ver e é o Director's Cut de quase três horas que não traz muito de novo à obra original.
Mas queixas à parte, fiquei completamente siderado com esta versão de «Blade Runner». Eu gosto sempre de ver primeiro as versões originais dos filmes e depois (se um dia tiver paciência) as versões maiores que os realizadores dos mesmos decidem um dia lançar para ganharam mais uns trocados para o gasoil (daí ter ficado aborrecido com esta edição DVD). Mas pronto, lá vi esta segunda versão do filme, e embora seja significativamente diferente da original (pelo que pude ler nas minhas pesquisas), este tornou-se daqueles filmes que eu gostava de ter visto num ecrã muito, mas muito maior, em detrimento do tamanho do ecrã da minha pequena televisão Sony do meu quarto, onde vi a fita.
Não sei qual das versões é a melhor, não fiquei viciado neste universo, mas sei que, pelo o que pude ver, esta é mesmo uma grande obra cinematográfica de ficção científica, futurista e que transmite, nas suas entrelinhas, uma crítica à própria sociedade e que se mantém atual (como, por exemplo, o pormenor de serem os chineses a "possuirem" grande parte da cidade do filme). Devo destacar, primeiro que tudo, a banda sonora de Vangelis, que torna «Blade Runner» uma experiência quase que transcendental (não admira, vinda de um homem que conseguiu tornar épica uma corrida à beira-mar em «Chariots of Fire»). Depois, penso que o filme, a nível visual, é um espanto (daí eu agora até querer ver como será a experiência de ver este filme num ecrã de cinema propriamente dito). O elenco é também ele excecional e repleto de grandes atores, alguns deles que nunca tinha ouvido falar na vida e que, hoje em dia, também são pouco recordados (à exceção de Harrison Ford, que parece que ainda está suficientemente bem para fazer a décima sequela do Indiana Jones). A história é original, e Ridley Scott, nesta sua segunda visão de «Blade Runner», mostra certos aspetos que, segundo pude perceber, foram ilustrados originalmente de uma maneira completamente diferente (o que mostra que um Director's Cut não se resume a colocar cenas que estiveram na gaveta durante mais de uma década, para se poder dizer que a nova versão do filme tem mais 5 minutos extra de imagens inéditas), e que, mesmo assim (não sei se foi por ter visto esta versão primeiro), fez-me achar que «Blade Runner» é uma obra-prima. Pelo menos esta segunda versão. Mas penso que, pelo menos a original, deve também ser excelente. Mas pelo que vi, considero esta magnífica.

Nota: * * * * *

Sem comentários:

Enviar um comentário

Se chegaram até aqui e tiverem alguma mensagem, crítica, ou opinação a fazer em relação ao que acabaram de ler, façam o favor de o escrever aqui. A gerência agradece e responde (se não forem nenhum príncipe da Malásia que tem 10 milhões de dólares para me oferecer, claro).