terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Una Sconfinata Giovinezza

Não percebo como é que filmes como este não entraram no circuito comercial português. É que o filme tem tudo o que poderia trazer espetadores e, por isso ainda podia render um bom dinheiro no nosso país. É um filme totalmente comercial, nada de experimentalismos ou cinema de autor, e no entanto, por cá nunca se ouviu falar dele.
Pude vê-lo numa sessão especial gratuita, hoje, no cinema Nimas, incluído numa Mostra de Cinema Italiano Contemporâneo, promovido pelo Instituto Italiano da Cultura. Estas sessões ocorrem de quinze em quinze dias, com seis filmes desconhecidos da distribuição feita por cá, e todos legendados em inglês. Ah, e todos à borliu!
Mas falando do filme em si. Vale a pena? Vale, porque não é um mau filme, e também porque aborda um tema muito interessante. Contudo, também não é uma fita memorável, que ficará para a História do Cinema. Isto é, também depende da sensibilidade de cada um. Acho que este filme é um desses que se engloba no género de "algumas pessoas adorarem, não por o filme ser bom, mas por lhes tocar particularmente".
Dou-vos o meu caso: eu achei o filme mediano, mas já os meus Pais pura e simplesmente adoraram-no. Mas acho que isso se deve muito mais ao tema do filme que à sua qualidade.
E qual é o tema do filme? É a doença de Alzheimer.
Não quero dizer que eu seja uma besta insensível que, por isso, não achou este filme nada de especial. Contudo, já vi filmes muito melhores sobre o tema (caso de «O Filho da Noiva», de Juan José Campanella, que é um filme muito bonito e muito bem feito). Os meus Pais tiveram casos de Alzheimer na família, com os quais conviveram fortemente (eu tive o da minha Avó materna, só que foi quando eu era muito novo ainda - embora tenha memórias desse tempo), e por isso identificaram-se muito com a fita.
Só que eu acho que, na minha opinião de apreciador de cinema, não é assim que se julga um filme. Mas pronto, cada um tem os seus gostos. Eu tendo a avaliar um filme no geral.
A nível de atores, acho que não me posso queixar. Destaco principalmente o casal protagonista do filme: a mulher que trata o marido, doente de Alzheimer. E o que achei mais interessante nesta película foi o lado da perda ou da danificação da memória do marido, quando, a dada altura, começa a confundir a sua infância com a realidade.
A nível de argumento, é médio, assim como de realização. E digo isto porque passa tudo a correr. O final vem assim do nada, e todo o filme é um desenrolar de acontecimentos que não dão muito espaço ao espetador para se interiorizar no filme, pelo menos na minha opinião. Tive a impressão que, durante todo o visionamento de «Una Sconfinata Giovinezza» não estava a ver um filme, mas sim um trailer em formato XL, em que os acontecimentos se sucedem diante da nossa vista sem que, às tantas, saibamos bem o que nos querem mostrar ou o porquê da velocidade de tudo aquilo. Está bem que o filme tem apenas hora e meia, mas não é razão para o filme sair assim. Realizadores como os Coen ou Woody Allen sabem fazer grandes fitas de 90 minutos ou menos, e sem precisarem de grandes meios de produção ou grandes orçamentos. Houve muita coisa que não se aproveitou, o que foi pena, porque os atores estavam excelentes.
Mas pronto, acho que vale a pena ver o filme, mesmo que não seja nada de especial. É um filme que, para muitos, irá ser ótimo pelo lado mais sensível. Mas fica muito aquém de outros filmes que abordam muito melhor e muito mais eficazmente o problema gravíssimo que é ter alguém próximo de nós com Alzheimer.

Nota: * * * 1/2

1 comentário:

  1. Também assisti ao filme nesse mesmo dia e não podia estar mais de acordo com o texto que escreveste. Gostei muitíssimo de ver este filme porque, também a mim, toca de forma directa e especial e emocionalmente mexeu comigo. Mas concordo, sobretudo em relação à "velocidade" de certas passagens e do final. Não posso deixar de agradecer ao Iic em Lisboa, na pessoa da Amiga Silvana Urzini que me informa e convida para estes eventos tão agradáveis e culturais. Bjh MRosário

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