TDT e DVD

Ontem, anunciei no livro da cara (pensem um bocadinho e vão descobrir do que é que este mamífero está a falar) que fiquei sem os quatro canais de televisão no quarto por causa da TDT. Após uma chuva de comentários, vá, engraçados para mim por serem pessoas minhas amigas a fazê-lo, e desinteressantes para outro qualquer cidadão, houve um comentário que me despertou a atenção. E também, mais tarde, uma discussão num fórum sobre o futuro dos suportes físicos (DVD's, CD's, bolos-reis, etc), li uma frase que me despertou ainda mais a atenção, o que me fez escrever um grande post no fórum conjugando as duas temáticas que me chamaram a atenção. Eis o dito texto, devidamente adaptado à literatura de casa de banho... digo, à literatura blogueira.

(a frase que li no fórum foi esta: "Será que os indefetíveis do DVD ainda continuam a fotografar em Kodacrome e escutar vinyl?". E eu, para defender a minha posição "retrógrada" em relação ao DVD, escrevi isto:)

Qual é o mal? Ainda conheço pessoas que usam rolos para tirar fotografias, e pessoas (muitas na atualidade) que escutam música através do vinil... e ainda pessoas que gravam programas nos leitores de VHS (e também Beta!), filmam em Super8 e - imagine-se! - veem televisão!!! Oh, que arcaicas que estas pessoas são...
Agora falando nos suportes digitais bem, eu tenho a mesma opinião que muitas pessoas têm. Para mim, tal como para um purista da música faz mais sentido ouvi-la em vinil, para mim só faz sentido ver um filme se puder "tocar" nele e tê-lo num lugar privilegiado na estante e não no PC, ou como dantes, vê-lo no cinema na maneira tradicional... enfim, não me digam que pôr um disco a tocar numa aparelhagem e estar a ouvir com atenção, enquanto se folheia o livreto contido na caixa do mesmo, não é mais agradável que estar no computador, a escrever, com os mails e a mandar umas patacoadas no facebook, e com música de fundo - ou algo que parece ser isso, já que, com tanta coisa na minha cabeça, nem consigo perceber qual é a música!
Essa ideia de Progresso, é uma coisa que me chateia. As pessoas nem teem tempo para aproveitar as coisas, tal é a pressa para mudar para a novidade que se segue. Agora é os Ipads e toda essa parafernália, que dizem que mudou o mundo. Mudou o mundo o caraças! Não me venham meter ideias na cabeça que eu não quero! Odeio pessoas que acham os hábitos dos outros "antiquados" por não serem iguais aos seus.
Ainda ontem, no facebook, escrevi que a minha TV do quarto, uma pequena Sony analógica, ficou sem dar canais por causa da TDT e porque a televisão por cabo não está no meu quarto. E depois disto, vai um antigo professor meu comentar: «Ver televisão? Isso é tãããão século XX.». E daí? Não posso ver, se quiser? Se preferirem ver filmes e séries no computador, força que eu não vos contrario. Eu também vejo uma outra série na net e uso muito para ver vídeos e tudo o mais, mas nada se compara a ver num ecrã maior, e com um som mais... autêntico, I guess. Agora não me obriguem é a desfazer-me daquilo que mais gosto por causa do "progresso", e do problema de «ficar para trás».
Eu gosto dos DVD's, não tenho nenhum full HD em casa, não tenho de ter essas preocupações, deixem-me estar com o DVD que eu cá me arranjo! E não me importo de mudar de formato, mas por agora estou bem com este, obrigado. Só acho é que isto vai tudo descambar quando palavras como "livro", "colecionismo" e outras que mais, deixarem de existir nos dicionários... Se é para ver um filme no videoclube e pagar 3,50€ ou mais para o ver uma vez, de que vale isso quando posso esperar um ano ou pouco mais que isso para passar na televisão e vê-lo à borla e - mais importante - sem estar a ser propriamente pirata?
Há coisas que nunca deveriam mudar. E acho que os suportes físicos é uma delas. Mas acho que não vão acabar tão cedo. O DVD e o Bolo do Rei já se expandiram tanto que é difícil agora, de um momento para o outro, tudo passar a ser à base do VOD. Olhem, era outro hábito que eu perdia: parar uns momentos no quiosque ao pé da escola para ver se tinham o DVD tal que saía com o jornal tal (outra coisa que as pessoas querem prever que vá acontecer muito muito em breve. Talvez amanhã, com certeza...).
Ah, já agora, força aí com os Blu-rays e Purple-rays e tudo o que possa vir a seguir! Só quero, no futuro não muito distante, poder comprar um filme saído três meses antes nos cinemas a 5 ou dez cêntimos com algum jornal - ou até mesmo na Fnac, quem sabe... com as voltas que esta vida dá... se começassem a pensar no consumidor e não na sua conta bancária...


And that's all folks!

Comentários

  1. Já agora enfio a carapuça e aproveito para esclarecer que o meu comentário tinha alcance duplo: um primeiro era simplesmente ser sardónico/irónico, um segundo era uma crítica directa não ao aparelho em si, mas ao conteúdo do mesmo e, em especial, dos quatro canais mencionados. Sinceramente não me parece que qualquer ser inteligente do séc. XXI precise realmente daqueles conteúdos para nada. É pura manipulação e brainwashing do mais básico estar a levar com aquilo. Há coisas muito mais interessantes noutras fontes com as quais se perder o tempo, mesmo quando é só na perspectiva de entretenimento e não necessariamente de aprender ou de estar informado. Just my two cents...

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  2. Sim, claro, pelos quatro canais também não me faz muita diferença ter a TV no quarto ou não. Mas por exemplo, a TDT noutros países dá às pessoas uma mão cheia de canais, e cá ficamos com os quatro suspeitos do costume - que mal costumo ver, e se vejo é mais a RTP2.

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