sábado, 4 de fevereiro de 2012

Morte em Veneza

Na minha (triste e ridícula) opinião, acho que não se devem fazer comparações entre livros e suas respetivas adaptações cinematográficas. Porque muitas vezes, o filme pode não ser uma boa adaptação da obra literária, mas nem por isso deixa de ser um bom filme. As coisas são é feitas de uma maneira diferente do que na palavra escrita.
Digo isto porque eu não li a obra homónima (da autoria de Thomas Mann) de que Luchino Visconti se serviu para realizar este «Morte em Veneza». Antes de ter decidido que ia ver o filme, li algumas críticas na internet (assim lidas na vertical, para não ter de apanhar um ou outro spoiler) e algumas pessoas diziam não terem gostado do filme por a adaptação não ser fiel.
Mas ontem à noite (e terminando hoje de manhã) tirei a prova dos nove e vi «Morte em Veneza». E gostei.
Mas antes de passar a uma pequena crítica ao filme, gostava de salientar a técnica de marketing que os senhores da Warner Brothers, responsáveis pela edição em DVD, decidiram tramar. Ora então, eu li a contracapa do DVD antes de começar a ver o filme, e a sinopse diz isto: "O Compositor Gustav Aschenbach (Dirk Bogarde), de férias no estrangeiro, parece um homem reservado e civilizado. Mas o encontro inesperado com alguém de rara beleza vai o inspirar a se entregar a uma paixão oculta que pressagia um trágico destino".
Bem, quando se fala no "alguém", eu pensei que seria uma rapariga (riam-se, riam-se à vontade, que eu não fico incomodado). Também a capa do DVD dava a parecer que o alvo da paixão do compositor fosse uma fêmea. Mas não. É um rapazinho, com ar meio andrógino, diria eu, de nome Tadzio. E, no princípio do filme, ainda tive dificuldade em ver se era rapaz ou rapariga (e só descobri quando pronunciaram o nome dele). Mas perceberam a técnica que os da Warner puseram em prática? Como se aperceberam que, se dissessem que era um rapaz, isso poderia afastar eventuais compradores e visualizadores da obra, decidiram deixar em aberto e dizer apenas que se tratava de "alguém". E eu, que caí que nem um patinho, deixei-me levar. Até porque tinha também a impressão de que fosse uma mulher, porque me lembrava que era isso que tinha visto no início do filme que vi uns anos na RTP2. Mas acho que isso não prejudicou a minha visualização do filme. Foi só o espanto inicial. Mas pronto, prosseguindo para a crítica propriamente dita:
Quando se fala em «Morte em Veneza», deve-se ter em vista três coisas: primeira, a grande (e muitas vezes obsessiva) atenção ao detalhe por parte de Luchino Visconti; a segunda, a grande interpretação do ator (que para mim era desconhecido) Dirk Bogarde, e terceira, a maravilhosa música de Gustav Mahler. Acho que «Morte em Veneza» só me fez apreciar mais do que esperava pela música (o que comprova que a banda sonora de um filme, se bem escolhida, pode dar muito mais poder à fita do que se não a tivesse). «Morte em Veneza» é um espanto a nível visual, mas não tanto a nível de argumento. Mas as interpretações são muito boas, e o pouco que o argumento tem assim de excelente consegue passar despercebido pela realização atenta e minuciosa de Visconti.
«Morte em Veneza» não é um filme para todos. Não é uma fita que eu vá agora aconselhar a sua visualização a todos os meus colegas e amigos, por ser algo lenta e com pouca "ação". Mas eu gosto de ir para além das minhas preferências e descobrir coisas novas. E para mim, este primeiro filme que vi de Luchino Visconti foi uma boa surpresa. Acho que deve ser um filme que melhora a sua visualização com o passar do tempo. Talvez... Daqui a uns dez anos volto a ver o filme e depois confirmo.

Nota: * * * *

2 comentários:

  1. O markting é tramado! Eheheh! Tenho todas as sinfonias de Mahler em cd original e é um dos meus compositores de referência! Morte em Veneza é uma obra prima da 7a Arte!
    Abraço! ;)

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  2. ahahahah (disseste que me podia rir, portanto..)
    Daqui a uns dez anos é bem provável que já não te lembres sequer deste blogue que criaste enquanto adolescente. É só isso que eu tenho a dizer :b

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