sábado, 14 de janeiro de 2012

Um escritório com piada (e não estou a falar no da EDP)

Nos últimos meses, as leituras não têm (infelizmente) abundado nas minhas atividades diárias, como aconteceu no verão, época do ano passado em que li mais de metade dos livros que me passaram pelos olhos em 2011. Uma boa desculpa para isto é a falta de tempo. Também posso dar outra explicação: para mim, a leitura só faz sentido (ou seja, só consigo ler a sério um livro sem me desinteressar por ele a partir da página 20) no verão, época em que posso estar mais concentrado em leituras mais a meu gosto e outras que o cérebro não me deixa pegar a não ser nessa época. Mas, felizmente, até tenho conseguido ler uns livrinhos, embora não os acabe tão depressa como gostaria, sendo que os vou lendo aos poucos, a meu gosto e quando acho que tenho sossego para conseguir ler mais de três parágrafos seguidos. Neste momento, estou a ler dois livros, dois clássicos da literatura portuguesa (que espero que consiga estar mais embrenhado na sua leitura): «Amor de Perdição» de Camilo Castelo Branco e «A cidade e as serras» de Eça de Queirós, ambos leituras escolares obrigatórias, de que estou a gostar (mais do segundo que do primeiro. Gosto bastante do estilo Queirosiano, do qual fiquei fã ao ler alguns dos seus textos, nomeadamente uma crónica sobre o Anarquismo), e que vou lendo ao sabor das avaliações que as disciplinas em que são a ser estudados assim o exigem. Não é que não esteja interessado na sua leitura, mas caramba, na minha opinião não há tranquilidade suficiente para se conseguir, em minha casa e na minha cidade, ler um livro cuja leitura não demore mais de dois meses... aliás, estes dois livros estou a lê-los lentamente, mas para conseguir apurar qualquer pormenor e poder estudá-los a 100%. Assim podem dar jeito.
Enfim, como já por aqui expressei diversas vezes, sou fã gigante da nona arte, a banda desenhada. Muito do que leio sao quadradinhos. São rápidos de ler, e na maior parte das vezes, autênticas obras primas de arte ou de narrativa.
Sou também um grande fã dos chamados comic strips, as tiras de banda desenhada oriundas, na sua maioria, dos states, e que inundam milhares de jornais de todo o mundo. Algumas dessas BD's que me acompanham já desde pequenino e que sempre gostei de ler e reler são, só para exemplificar: os fantásticos Peanuts, o miúdo Calvin e o seu tigre de peluche Hobbes, as turbulências da adolescência no Zits, a família completamente disfuncional Fox Trot, e também... Dilbert, uma banda desenhada da autoria do genial Scott Adams, que há mais de duas décadas, satiriza com um humor característico e inteligente o dia a dia de um escritório fora do normal, mais os seus funcionários de todas as áreas do trabalho.
O que Dilbert tem de tão especial é o facto de conseguir manter o nível desde há vinte anos e continuar atual. Digo isto porque na biblioteca das Galveias comecei a re-requisitar os livros do Dilbert que existem por lá (digo "re-requisitar" porque li-os pela primeira vez há uns quatro ou cinco anos) e já sou muito mais capaz de perceber muitas piadas que me passaram despercebidas na primeira leitura. Muitas das situações têm piada por serem uma crítica à vida de escritório, mas mais do que isso, são uma caricatura fenomenal do quotidiano norte-americano. Com um certo exagero, é claro, mas é esse exagero que dá mais piada às tiras de Dilbert. E ao universo que constitui as suas personagens, também. Além do homónimo Dilbert, temos ainda o patrão mais idiota à face da Terra, para o qual ninguém gostaria de trabalhar, assim como o diabólico Dogbert (a minha personagem preferida), um empregado radical, com decisões preversas e maquiavélicas cujo objetivo pode, por vezes, sera conquista do planeta. Muitas outras personagens povoam o escritório onde Dilbert trabalha, mas estas três sao, talvez, as essenciais para uma introdução a esta grande BD.
E há também a série de TV, que teve apenas trinta episódios divididos em duas temporadas, mas isso não impediu que ganhasse um Emmy. Estive agora a ver o primeiro episódio (se estiverdes com curiosidade, preparem-se para passar uns agradáveis vinte e um minutos e cinquenta e cinco segundos ao clicar aqui) e acho que não fica nada atrás da banda desenhada. É um clássico da televisão que vale a pena ver, tal como aconselho vivamente a ler a BD, que corresponde à realidade do trabalho de escritório de qualquer país, incluindo o nosso Portugal.

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