quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Não o levarás contigo - um esquecido clássico do cinema

Hoje, vi mais uma comédia, mas desta vez americana, e que é um clássico do cinema, que venceu dois Oscares em 1938 (não sei se foram comprados ou não, mas o filme até que é muito bom!), denominada «Não o levarás contigo», realizado por Frank Capra, responsável da obra prima do cinema que vi há uns tempos chamada «Peço a palavra» e do clássico «Do céu caiu uma estrela» que ainda tenho de ver.
Uma pequena nota para o DVD com o qual tive a oportunidade de ver esta fita. Aconteceu com este disco aquilo que me irrita solenemente, quando a questão são filmes antigos. Não sou picuinhas em relação a imagens todas em alta definição e outras coisas acabadas em "ão", mas irrita-me muito mesmo, quando vou ver um filme antigo em DVD, e o mesmo parece ter sido tratado da mesma forma com a qual eu trato o lixo. O estado em que a cópia deste filme foi apresentada era simplesmente deplorável. Não houve ali nenhuma tentativa de recuperação das bobines, nada. Som péssimo, imagem péssima, onde por vezes faltavam frames de filme e o ecrã ficava preto! Talvez isto fosse normal numa edição barata de uma editora de segunda... mas esta edição era da Sony! E não gosto nada quando, a ver um filme, estou a dar a mesma atenção tanto ao filme em si, como ao estado deprimente em que está a ser exibido.
Enfim, continuando... fiquei muito contente com a visualização desta comédia, com um toque de drama. É um filme "made in USA", sim senhora, com muitos clichés tradicionais das comédias desse país (e principalmente dessa época), só que esta consegue continuar a ser interessante hoje em dia. Tem atuações convincentes (nada de expressões demasiado exageradas nem nada dessas coisas que me desagradam imenso - daí eu não ter ficado convencido com a hora e meia que vi do «E tudo o vento levou» - desculpem-me, mas não fiquei admirado com aquilo), um argumento muito interessante e muito bem estruturado, baseado na peça de teatro homónima que deu ao seu autor o prémio Pulitzer. É um filme bonito, que apresenta uma moral que hoje, mais do que nunca, mantém-se muito atual, e uma pessoa vê este filme e fica contente de o ter visto. Pode não ser uma obra prima de Capra, mas é um filme que não desilude pelo seu conteúdo.
A história é simples de ser explicada: temos um par de pombinhos, interpretados por James Stewart e Jean Arthur. A família de James Stewart é muito abastada, toda snob e, obviamente sem interesse nenhum. Já a família de Jean Arthur é toda maluca, no bom sentido. Quer dizer, para mim uma família maluca é a que vive numa casa onde se ouvem rebentar foguetes de cinco em cinco minutos, cair sempre o mesmo quadro e ninguém já se importa porque se tornou um hábito, onde, do meio do nada, um xilofone e uma harmónica começa a tocar e de repente toda a gente começa a dançar, enfim... Mas esta família é uma família feliz, humana e humilde. Já a família de Stewart, são arrogantes, são pessoas que só se dão com a alta sociedade... pessoas que não têm uma vida assim muito interessante, a meu ver.
Como já vos disse, gostei muito desta comédia de costumes, divertida e densamente carregada de humanidade, e através da qual podemos retirar o ensinamento que esta vida é curta, e por isso, deve ser vivida ao máximo, tentando que nunca seja desperdiçada e que aproveitemos cada dia da nossa existência para sermos simpáticos uns para os outros, fazer amigos e apoiar a nossa família e pessoas mais chegadas. Um tesouro escondido do cinema, que deveria ser mais conhecido.
Nota: * * * * 1/2

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