Informação do Contra

Ontem, depois de chegar a Lisboa depois de um fatídico fim de ano e de poisar (sim, "poisar" soa mais engraçado que "pousar", daí eu ter incluído essa palavra neste post) as malas no meu quarto, qual foi a primeira coisa que este bípede fez? Jantar. Pois, mas depois disso, o que é que este bípede fez? Ver televisão, claro está! Depois de ter visto o grande filme «Invictus» de Clint Eastwood (uma crítica sobre esta fita, juntamente com as outras duas que vi durante estes dias em que estive fora das lides interneteiras, será publicada mais daqui a pouco), vi que, antes de me ter ido embora na sexta feira, tinha agendado a gravação de um programa da RTP memória. E que programa era esse, perguntam vocês? Não, não era um episódio da série daquele personagem que eu acho muito piroso e parecido com o Marco Paulo (ou seja, o «Knight Rider», que de Justiceiro tem pouco, embora seja este o seu título em português), nem era uma emissão do totobola de Janeiro de 1987.
O que eu gravei, meus amigos e minhas amigas (mais amigas do que amigos, é certo) foi, nada mais nada menos, que uma gala do «Contra-Informação» de 2001 que, por qualquer motivo que me escapa, a RTP memória decidiu exibir. E hoje de manhã estive a ver essa gala e a lembrar-me do quanto gostava daqueles bonecos meio tresloucados e muito cómicos, que animaram a televisão pública há até bem pouco tempo, antes do programa ser cancelado pela RTP, e assim desaparecerem personagens tão emblemáticas como Santana Flopes, Regressado Silva (que, na gala que foi reexibida ontem, se chamava ainda Acabado Silva), Marques Pentes (Ganda nóia, men!), José Trocas-te, enfim, uma panóplia de bonecada que representava o pior (melhor para os argumentistas do programa, que aí viam muitas oportunidades certeiras para criar grandes sketches) que a sociedade portuguesa tem. Caricaturas de figuras da atualidade da época (no programa de ontem reconheci algumas figuras, outras nem por isso, porque naquela altura ainda era muito pequeno para perceber o programa todo) que marcaram a televisão portuguesa. Ver aquele programa, hoje de manhã, fez-me voltar aos meus anos doirados (outra palavra que fica mais gira nesta versão do que na politicamente correta, "dourados") da infância, que foi muito marcada pelos bonecos e sketches do «Contra», que, na minha opinião, é uma versão mais inteligente e superior que o original britânico, «Spitting Image».

Pouco depois do programa ter acabado, correu uma petição para voltar a "ressuscitar" o formato, que, diga-se, estava um pouco mal nas suas últimas emissões. E eu, tal como todas as pessoas que viam o programa, tenho pena que tenha acabado. Poderia voltar num formato melhorado, mas enfim, a RTP assim não o quis. Restam as possíveis reposições futuras na RTP memória e os vídeos espalhados por toda a Internet, ou talvez um dia, alguma estação se aperceba que o melhor programa que versava sobre a atualidade, e mais importante, sobre a política nacional e internacional, era o «Contra-informação», e tal como o leite, nada o substitui.

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