Eu não "sele" japonês! Eu "sele" chinês! (pois pois, numa altura destas, com a EDP e tudo o mais, até dá mais jeito que assim o seja...)

Sim, isto pode ser estranho ler vindo de um adolescentezinho palerma de 16 anos, que por isso, nasceu a meio da década de 90. Mas eu gosto de «Duarte e Companhia», essa série que prova como a azeitice e técnicas rudimentares de filmagem e, principalmente, montagem, podem gerar uma série muito interessante - pelo menos, dentro do panorama português.

Mas porque é que será que um idiota como eu, que com esta idade e vivendo nesta época deveria era estar a ver séries todas sofisticadas, como a insuportável e demasiado previsível «American Horror Story» ou aquela parvoíce cantante denominada de «Glee», vai debruçar-se sobre u(ma série com todos os defeitos para ser desapreciada por qualquer outro indivíduo da sua idade o facto de ser portuguesa, o facto de ser antiga, o facto de ser mal feita, e mais importante que isso tudo, o facto de ser interessante)?

A resposta é simples. Porque eu gosto, e ponto final. Aliás, comecei a gostar desde que um bom amigo, dos tempos do Camões, me emprestou as três primeiras séries desta maluqueira televisiva da autoria dessa mente preversa e não menos louca que é Rogério Ceitil, cuja série «Zé Gato» foi o começo para, seis anos mais tarde, vir ao mundo a primeira série de «Duarte e Companhia». Fui vendo e, se na altura nem me importei muito do "rudimentarismo" da série, que talvez, se fosse noutro programa, me poderia afastar da sua visualização, esta eu apreciei muito pela história muito cómica e por provar que, com poucos meios mas com muita imaginação, se consegue criar algo muito interessante e que continua a ser tão famoso agora como há mais de vinte e cinco anos, quando começou a ser exibido na RTP1. E acreditem: o número reduzido de episódios de «Duarte e Companhia» (dos quais, até hoje, eu já vi os primeiros vinte e um) não faz com que a série seja menos apreciada, ao contrário dos sete mil, oitocentos e trinta e cinco que os «Morangos com Açúcar» já contam.

Lembrei-me de escrever sobre «Duarte e Companhia» porque hoje, comecei a gravar na RTP Memória, na esperança que ainda estivessem a dar episódios que eu já tinha visto. Mas não, já andam a exibir os que, infelizmente, não foram editados em DVD (por agora). E bastou ver menos de cinco minutos do episódio que gravei para me lembrar que, além da história ser interessante, sim, se repararmos bem, o facto de a série ser não muito bem executada ajuda a que tenha uma dose de humor adicional ao enredo dos episódios.

Mas o que eu acho que se deve louvar em «Duarte e Companhia» é que nós percebemos que a equipa que fez o programa cometeu loucuras extremas, sim senhora, mas encaixando sempre dentro do baixo orçamento que lhes era dado. Admitiam-se como uma série menos "abastada", e também por isso conseguiram fazer uma série extraordinariamente gira. Ao contrário de outros programas, que se acham mais poderosos que o dinheiro que a produtora lhes deu para gastar, e depois fazem programas que ninguém se lembra porque acabaram por ir parar a horários colocados às televendas.

Outro dos ingredientes fundamentais do sucesso de «Duarte e Companhia» era por girar em torno de um universo de criminosos e detetives... à portuguesa. Nada de americanices. Por cá, o detetive, para se entreter, folheia as páginas do jornal «A Bola» do dia. Ou então, se o bandido precisa de sobreviver, faz uma sopinha à vontade, sem qualquer problema! Não há ali nenhumas fitas, hein? É fazer a sopa e prontos! E se houver um indivíduo japonês, diz-se que é chinês, porque para o tuga, vai dar tudo ao mesmo (embora, tal como o título deste post indica, nos tempos que correm, essa situação teria de ser ao contrário...).

Se vale a pena ver «Duarte e Companhia», eu digo que sim. E se eu sou meio doido por perder tempo com uma série destas, depende da perspetiva. Mas só sei é que, depois de ver mais um episódio desta série à la tugas, me apetece logo ir fanar o 2 cavalos do meu vizinho (que não é vermelho, mas isso também não interessa, vai dar tudo ao mesmo) e perseguir um bando de valdevinos comandados por um malfeitor que obriga que o tratem por Padrinho.

Porque... nós somos Duarte e Companhia...

Comentários

  1. Excelente post. Eu também sou DOIDO pelo Duarte & Companhia. Tinha um tipo de humor extremamente bem feito e acredita que nunca mais se farão séries como essa. Uma verdadeira série de Culto. É o que é. :)
    um grande abraço.

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