Diz que é uma espécie de... coisa

Foi na tenra idade de oito anos que este mamífero que vos escreve tomou contacto pela primeira vez com o mundo do Gato Fedorento, graças a sketches mostrados por um familiar, e também pela publicidade que, na altura, Ricardo Araújo Pereira fazia na personagem do «Homem a quem parece que aconteceu não sei quê», figura que tive o prazer de interpretar durante dois ou três minutos numa apresentação ao público escolar do Rainha Dona Leonor.
Há cerca de um mês e alguns dias fui a um debate sobre humor com Ricardo Araújo Pereira e o professor Abel Barros Baptista, evento sobre o qual escrevi aqui no blog.
Bem, hoje ocorreu o segundo encontro sobre humor, que, tal como o anterior, decorreu na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, e desta feita teve um convidado - o escritor Mário de Carvalho, autor da «Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho».
Só que, tal como acontece a muitos filmes, a "sequela" (ou seja, esta segunda reunião) não foi tão boa como a primeira (a "original"). E neste caso, isto reflete-se mais no que a minha pessoa passou neste segundo encontro. Porquê? Porque, em poucas palavras, meus amigos, eu fiz aquilo que se chama "põr o pé na argola".
Passo já a explicar tudo o que se passou: O debate estava a correr muito bem, até que se chegou ao final, à parte das perguntas. E eu, como gosto de pôr questões, esperei a minha vez (também só eu e outra pessoa é que fizemos perguntas...) para perguntar duas coisas: uma relacionada sobre um tema debatido pelo Mário de Carvalho. Ok, por aqui tudo bem, a história está a tomar um rumo normal. Tudo vai complicar-se ao fazer a segunda pergunta, que se torna o clímax de toda esta historieta.
As pessoas que me conhecem sabem que eu posso ser caracterizado por estas três coisas: linguarudo, direto e incomodativo. E a minha simples pergunta tinha tudo isto dentro. O que eu perguntei exatamente foi isto, palavra por palavra (ou quase):

"Uma pergunta para o Ricardo, e não é para se sentir ofendido, e acho que lhe devem fazer esta pergunta muitas vezes. Mas há pouco o Mário de Carvalho estava a referir-se à nova publicidade que o Ricardo e os seus colegas fizeram para o produto que publicitam - e que não vou estar aqui a dizer o nome. Dizia que essa publicidade era interessante porque se afastava mais da publicitação do produto e tornava-se mais humor que publicidade. Então eu pergunto que, já que os Gato Fedorento fazem publicidade muito humorística, porque é que deixaram de fazer programas na televisão."

Foi o caos total. Notei o grande desconforto do RAP ao ouvir esta pergunta, desconforto esse que tentou disfarçar com uma piada. Toda a gente se riu com a minha pergunta, exceto os três "literatos". O humorista dos Gato disse que "porque é que, numa tertúlia tão interessante sobre literatura, tinha de vir um impertinente dizer-me «Vai trabalhar!»". E eu respondi a esta piada: "mas muito pelo contrário, o Ricardo e os seus colegas têm muito trabalho, na publicidade". Voltou tudo a rir-se. Não consegui perceber se se riam da estupidez da minha pergunta ou porque acharam giro eu perguntar aquilo. Opto pela primeira opção.
O professor Abel Barros Baptista tentou moderar o pequeno mau ambiente que se criou com a minha pergunta. Por sorte, não houve mais perguntas e o encontro acabou ali. Fui pedir desculpas ao Mário e ao professor, e eles disseram que não havia mal, "mas ele...", referiu o professor, quando eu o interpelei.
Resumindo e concluindo, acho que, por o Ricardo ter achado que eu fui uma besta - não era esse o meu objetivo, e frisei bem isso, só queria ver a minha pergunta respondida (eu e muita gente) -, mas afinal chegou a mostrar a verdadeira personalidade dele e dos Gato que eu, dificilmente, queria acreditar que fosse verdade. O RAP não respondeu a minha pergunta, eu sei, mas não me querendo gabar, quero dizer que tive alguma coragem em fazer aquela pergunta. Eu queria uma resposta! Queria dar resposta à questão na boca de toda a gente! Toda a gente pensa nisto, eu sei, e além do óbvio «É por causa do dinheiro!!!», ninguém vê outra explicação para os Gato terem deixado de fazer aquilo que nós gostávamos de ver, e não técnicas de marketing duradouras que irão continuar até 2037, pelo menos. Nem é pelo facto de eles terem saído da TV. O problema foi os Gato terem deixado a TV e não terem continuado noutro meio do espetáculo. Na, foram para a publicidade. Sim, eles não são gente muito séria, e embora eu tenha gostado muito de conhecer o RAP há um mês e pico, é preciso encarar a verdade. Como ele não tinha o "discurso" preparado para aquela pergunta, ficou sem resposta. Eu não tinha nenhuma intenção maliciosa com a minha pergunta, volto a referir, queria apenas, como fã dos Gato (ou fã do trabalho antigo deles), esclarecer aquilo de uma vez por todas. E o RAP também não foi correto. É humorista, sim senhora, mas não soube responder. E o RAP e os próprios Gato perderam o bocadinho de alguma empatia que eu sentia por eles. E acho que não irei comparecer mais a estes encontros. Não vale a pena. Eu tenho a mania de ser direto, e depois... é isto. Se calhar eles pensam que esta resposta está no segredo dos Deuses. As pessoas já se fartaram um bocadão de vocês, do MEO e tudo isso.
Este é daqueles posts que estavam muito bem planeados mas saiu isto. Peço desculpa. Se quiserem algum esclarecimento sobre este assunto, digam que eu dou. Pois acho que me devo ter esquecido de falar aqui de muita coisa, como de costume, ou então escrevi coisas que serão interpretadas de uma maneira errada.
O que eu concluo em tudo isto é que, se calhar, eu vou para repórter da TV7Dias ou coisa do género. É essa a minha vocação.
Qualquer esclarecimento aqui fachavor. Eu pelo menos esclareço. Qualquer tipo de dúvida. Garanto-vos!

Comentários

  1. Ok amigo, compreendo bem o que se terá passado.
    Vivemos rodeados de marketing barato e alguns mascaram-se para cair nas graças das "audiências" dizendo o que for mais conveniente ao momento. Sinceramente acho que nem os comediantes necessitam da tal grande empresa para o êxito, como esta sobreviverá bem sem eles, dando trabalho a outros.

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  2. Achei realmente que foi preciso coragem para encarares a situação; porque quer dizer, como bem disseste: eles ficaram sem resposta. Tomem lá, que já paparam. E pronto, fiquei à esperar para comentar porque agora já posso dizer: "foi bom, foi bom", a tua apresentação do sketche. E aqueles óculos? Oh Rui, sim senhor! *palmas*

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