Gatos pretos e brancos

«Gato preto gato branco» é considerado por muitos a obra maior do realizador Emir Kusturica (que também dirigiu "O Pai foi em viagem de negócios" e "Underground - Era uma vez um país", ambos os filmes galardoados com a Palma de Ouro no festival de Cannes). E não é para menos, pois este filme apresenta ao espetador um festim cinematografico-humoristico-idiotístico-surrealista, repleto de personagens e situações deveras caricatas, estando muitas delas a roçar a estupidez completa. Mas ao contrário de outras comédias também estúpidas que todos conhecem, esta fita consegue sê-lo no bom sentido, fazendo rir quem a vê apesar de o que se está a passar no ecrã não fazer qualquer espécie de sentido. Daí eu comparar muito esta comédia às experiências cinematográficas dos Grandes Monty Python, Senhores do absurdo cómico e do nonsense. «Gato preto gato branco» está recheado de pequenos pormenores engraçadíssimos, o que me faz querer que o argumento foi pensado ao pormenor, havendo assim um aproveitamento de qualquer tipo de situação (importante ou que passa quase despercebida) para se extrair um riso do público, e através de todo esse processo cómico satiriza-se ao extremo temas como a vida, a morte, o amor, o dinheiro e a família.
Apesar da aparente idiotice que faz todo o filme e que poderá deixar fugir alguns espetadores, «Gato preto gato branco» merece ser visto de uma ponta à outra. Como já referi anteriormente, quem gostar de comédias mais absurdas como as dos Python terá mais facilidade em se aproximar desta fita, mas quem não está habituado a este tipo de humor, que experimente, porque se ao início pode causar estranheza, o espetador vai entrando naquele mundo idiota e grotesco, deixando-se levar pelos diversos episódios da história que se desenrolam a um ritmo desenfreado. Eis aqui uma boa sugestão de um filme que não se encontra todos os dias.

Nota: ****1/2

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