quinta-feira, 24 de novembro de 2011

"É a luta, pá!" "Qual luta, pá?" "Sei lá, pá!"

(ATENÇÃO: Este post contém material EXTREMAMENTE explosivo e chocante. Cuidadinho hein?)

O povo português tem uma particularidade que a mim me interessa muito e que é o poder quen tem de se indignar. Do género «Olha amanhã fazemos mais uma manifestação. Como é que vai ser? Indignação das nove ao meio dia, depois almoço, às três voltamos a indignar e se possível pomos um cocktail molotov ou dois à mistura, e depois ao final do dia, depois do cházinho e as torradas, fazemos o concurso do manifestante mais suado 2011. Ok, 'tá tudo. Olha, trazes aí o livro de frases e cançonetas inspiradoras para serem gritadas em manifestações? Está aí, ao lado da TV7 Dias da semana passada. Pronto, podemos ir».
Ou seja, para muita gente a indignação através de greves tornou-se um hábito diário que se impenetrou tanto nos grevistas, tanto nas outras pessoas que não fazem greve, que já estão acostumadas a ligarem a televisão de manhã e a ouvirem, além do Minuto Verde, a cobertura da greve pelos jornalistas das diversas estações.
O que acho piada é a geração à rasca, que, ao estar sempre a manifestar-se, revela não estar à rasca, mas sim ser rasca. Se fosem portugueses, ultrapassavam as coisas sem falinhas mansas. Infelizmente, o método do desenrrascanço está a perder-se em Portugal e sim o método «Ai coitadinho de mim». Conheço muitas pessoas que estão em piores condições que essas pessoas que se foram manifestar porque ficaram sem o 13.º mês ou coisa que o valha porque são sérias. E também porque não vivem à pala do Estado, a maior parte delas. E isso ainda é importante, se bem que agora, também muita gente que não funcionários públicos gostam disto.
Aliás, sobre o 13.º mês, o que muita gente se esquece é que isso foi criado pelo (ui, tão "fascista") Marcello Caetano porque naquela altura os funcionários públicos até tinham mais razões de serem coitadinhos do que as que proclamam atualmente.
E depois acham-se os heróis. Espécies de Lusitanos contra a "Romanada" que queria entrar na Península Ibérica. Autênticos super-homens e mulheres que, por umas horas, pensam ser os reis da nação (mas se calhar nem davam para serem reis de Alguidares de Baixo, ou talvez nem saibam governar-se por si mesmos).
Por fim, claro, a sobremesa de qualquer greve (ou de qualquer situação na vida), os homens da luta. Aqueles tipos que ao princípio, no seu programa «Vai tudo Abaixo» tinham piada e faziam uma sátira ao PREC e agora nem se sabe bem o que é aquilo. É pena, eles venderam-se. Tal como fizeram os Gato ao senhor Zeinal Bava.

Porque é que quis escrever isto e arriscar-me a chegar a casa e ter a surpresa de levar com uma garrafa de vidro na testa (talvez porque me deu um vaipe momentâneo de loucura e apeteceu-me levar com uma garrafa na tola, ou então pelo conteúdo deste post)? Pela simples razão de que estou meio farto (se fosso completamente farto ui, a minha ira nem cabia neste textinho) de ouvir pessoas a queixarem-se, a manifestarem-se, a pensarem só em si próprias.

Por isso, Portugal não tem na sua maioria pessoas desenrrascadas, como era hábito há umas gerações atrás. Tem é pessoas que gostam de ter a papa cerelac quando chegam à cozinha para tomarem o pequeno almoço. E se possível já preparado e quentinho.

Eu sou desenrrascado, sim senhor. Se não dá para fazer coisa x de uma dada maneira, faço de maneira y e pronto, está resolvido. Ou então, se for preguiçoso, faço uma manif. Dá menos trabalho, é verdade, mas cansa mais a voz, e isso é algo que pouco me agrada.

Por isso pedia-vos. Se proclamam tanto a «luta», encortem nas manifs se faz favôire, e façam algo por vocês próprios. Inventem, tentem desembaraçar-se das mais variadas situações usando a cabeça.

Ah, e esta "aplicação" não consta no facebook nem em nenhum tablet.

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