Cadeira giratória: uma história de horror que afinal é tão dócil como um cordeirinho



Nota: a imagem acima apresentada pareceu-me ser, após uma vasta pesquisa no Google usando as palavras «cadeira giratória», o exemplar mais semelhante à cadeira giratória semi-protagonista da história que vai ser a seguir narrada. Peço desculpa às testemunhas da situação abaixo descrita se esta cadeira não se assemelhar, de facto, com a real. Mas acho que é igualzinha. Mas que não seja por esta cadeira ter um encosto mais para a frente ou para trás que a história perde a graça (se é que tem alguma). Por fim, para acabar esta notinha com letras mais pequeninas que os livros de bolso oferecidos com os jornais, queria pedir desculpa à cadeira em questão, pelo mesmo motivo de este exemplar se assemelhar com ela ou não. Espero que não fique fula (como o óleo) após ver esta imagem.


Há cerca de alguns minutos (a rondar os três e os quatro, acrescentando umas milésimas de segundo de tolerância), ocorreu lembrar-me de um singular episódio que se sucedeu, se não me falha a memória, na aula de Literatura Portuguesa da passada quarta feira (caros colegas e testemunhas da situação, se porventura estiverem a ler isto e tiverem notado que eu falhei completamente na recordação da data da dita aula, façam o favor de me levar para o hospício mais próximo. Se eu afinal tiver acertado, façam isso à mesma. Mais vale prevenir que remediar).
Essa aula foi feita numa sala especial. Estava muito calor dentro da nossa sala de aula, que foi decidido irmos para o CREM na segunda metade da aula, a biblioteca lá da escola. E confirmo, lá estava mais agradável. Tão fresquinho... Bom, ficou acordado que nós, alunos, iríamos, naquele tempinho no CREM, pesquisar nos computadores factos sobre a vida de Almeida Garrett (o escritor que está a ser a causa do nosso estudo atualmente nesta disciplina, e que no futuro, nos vai tramar como o caneco).
E bem, aos leitores que são exteriores à escola e que, portanto, desconhecem o que se passou naquele dia àquela hora, devem-se estar a perguntar: «Caramba Rui, num ambiente tão calmo e com uma atividade tão fácil para ser executada, tu foste-te meter em sarilhos, ó seu grande valdevinos?», enquanto abanam ligeiramente a cabeça para os lados com um pequeno sorriso no rosto, como quem quisesse dizer «Ah, este Rui é impagável».
E eu respondo: sim, fui. Ah pois fui. E a causa dos meus (não muito longos) infortúnios foi gerada por uma pequena problemática, descrita, finalmente, a seguir. A parte destinada aos computadores, no CREM, possuía, para os utilizadores se poderem sentar, muitas cadeiras iguais (ou muito parecidas, a meu ver) a essa que acima vos mostrei. Confortáveis, macias, enfim. Poderia estar aqui um dia inteiro a descrever estas magníficas cadeiras. Só que não quero. Tenho mais que fazer.
Ao olhar para aquelas cadeiras, senti uma pequena nostalgia, e lembrei-me de um dos meus grandes guilty pleasures: Sentar-me em cadeiras giratórias (não sei se isto pode ser considerado um guilty pleasure, mas há quem tenha como tal nessa lista de pleasures itens como fazer bolos com creme ou ver a série «Glee». Entre estas duas coisas mencionadas, prefiro nenhuma delas e continuar com as cadeiras giratórias. É a vida). E, ao ver essas cadeiras, que tanto me fazem lembrar filmes e séries em que a cadeira giratória dá um ar de superioridade a quem está sentado nela (principalmente se o dito cujo puser a cadeira o mais alto do chão possível), como também me recordam corridas parvas e concursos de patinagem (vá-se lá saber porquê), senti-me disposto em usar uma delas, e fazer o que me desse na gana. Por isso, sentei-me, subi e desci a cadeira, andei a fazer corridas com a cadeira...
E estava eu todo feliz que nem uma criancinha com um brinquedo novo, a laurear pelo pequeno corredor dos computadores a ver o que é que os meus restantes colegas andavam a pesquisar, quando surge uma figura que me fez lembrar o «Caldo», dos livros do Menino Nicolau (Se não sabem do que estou a falar, paciência. Lessem mais!). A figura era nada mais nada menos que o professor que, àquela hora, estava a coordenar o CREM. E nessa altura fez-me lembrar o tal «Caldo» que, passo a explicar, é o vigilante da escola dos livros do Menino Nicolau, que assim é chamado por ter uns grandes olhos como os de um caldo. Olhou para mim com um ar arreliadíssimo (como se tivesse saído de casa e lhe tivesse caído um piano em cima - ok, nem tanto. Um violoncelo, vá.), e deu-me um sermão do género «Andas pr'aí a brincar e depois quem é que tem de consertar a cadeira? Eu, pois claro!» e eu, sério e impassivo, a ouvir aquele sermão, tentando não me rir dos disparates que tinha feito, o que consegui com êxito, segundo julguei. E aí, larguei a cadeira e voltei ao meu posto para trabalhar (ou fingir que o fazia). E aqui acabou o meu curto tempo de folia escolar, envolvendo uma cadeira giratória. Naqueles minutos, fui feliz. Muito feliz. Pena que tenha já acabado.
E se estão a pensar que consegui escrever um post inteiro dedicado a este ridículo episódio, sim, consegui. E bem!
E como todas as histórias têm uma moral, esta tem... nenhuma., Que é que querem? Estava a gostar de ser um garoto outra vez.
Agora só posso voltar a ser criança quando o meu sobrinho estiver aqui em casa a ver cassetes que eu, há uns bons anos, vi mais de trezentas vezes. Só dessa maneira.

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