quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Memórias do cinema



Sempre tive um grande respeito e admiração pelos projeccionistas do cinema. Sim, aqueles indivíduos que, num tempo (não muito) longínquo, estavam dentro da salinha cheia de máquinas e bobines e que faziam passar os filmes para o grande ecrã.

Gosto de ir ao cinema King, porque numa das salas, antes de se entrar, pode-se ver o pequeno compartimento, coberto com paredes de vidro (por isso pode-se ver tudo por dentro), onde o filme está a passar. Sempre achei graça ao cinema assim. Não ao digital, que agora entrou para as salas e tornou-se moda por ser mais barato...

Podem dizer que pareço um idoso saudosista, mas para mim o digital tira toda a magia do cinema. Não sei se essa sala do King continua a passar filmes de maneira tradicional, mas acho que dessa maneira era mais giro ir ao cinema. E olhar para trás e tentar ver quem é que estava por trás do projector.

Lembrei-me de escrever isto depois de ter visto uma reportagem na TVI há uns dias sobre o desaparecimento da projecção de projeccionista, uma reportagem muito boa, que metia pelo meio excertos de «Cinema Paraíso», um dos meus filmes favoritos.

E eu sempre tive uma adoração pelo cinema assim, com as bobines e todas essas máquinas a funcionar, tal como acontece nesse filme, que retrata a vida de um projeccionista de uma aldeia italiana e do seu parceiro, o pequeno Toto.

Isto do projeccionismo tradicional pode parecer daquelas coisas da vida que são facilmente ultrapassadas e obsoletas, mas isto era algo que dava outra alegria ao cinema, na minha opinião. E por mais barato que seja o digital, não é o mesmo cinema que se vê no ecrã.

É algo que, infelizmente, está a desaparecer.

Ficam as memórias. Já é alguma coisa.

3 comentários:

  1. Também tenho pena que essa profissão esteja a desaparecer..

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  2. Plá Rui, sou o Paulo Ferreira o que criou o Mistério Juvenil, eu sou dos últimos projeccionistas tradicionais, durante os últimos 15 anos trabalhei trabalhei numa cabina e projectei milhares de quilómetros de película no maior cinema do país e em Junho terminei as minhas funções devido precisamente ao cinema digital. Mas continuam a haver projeccionistas mas agora mais operadores de informática que outra coisa.
    Para quem quiser ver a reportagem que o Rui fala pode ser vista aqui:
    http://www.youtube.com/watch?v=9iPZiTzhG7M

    Mas continuo a projectar com os meu projectores de super 8 e 16mm e também a filmar. Nos encontros do MJ em Dezembro costumo projectar alguns filmes.

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  3. Olá Paulo! Por acaso não sabia que tinha sido projeccionista! É algo que, infelizmente, se está a perder, o projeccionismo tradicional. Obrigado também pela partilha do vídeo da reportagem! E eu tenho ficado a par, nos vários tópicos do fórum dedicados aos encontros, dos programas cinematográficos que o Paulo propõe nos encontros do MJ. Assim, mantém-se a tradição viva! Obrigado pelo comentário!

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