Esta versão cinematográfica, estreada no ano de 1984, do primeiro livro do escritor Mário Zambujal, é daqueles casos em que o filme não soube marcar uma posição quanto ao livro. Enquanto que temos casos como o do «Padrinho», em que o filme ganhou um estatuto e uma fama que o livro conseguiu na altura mas não até aos nossos dias, com a «Crónica» sucede-se ao contrário. Quando falo com pessoas sobre o livro, toda a gente o conhece. Já o filme, nem por isso. Mas se falar do «Padrinho», todos associam ao filme (e especialmente ao Marlon Brando), sabendo muito poucos da existência do livro.
Este filme, apesar de nele entrar o próprio autor (no argumento e como próprio narrador da acção da fita), não consegue passar o espírito literário da obra (a mais conhecida de Zambujal) para algo mais interessante do que se pode ver no ecrã. A adaptação é razoável (até se chegam a ler excertos do próprio livro), os diálogos também algo literários (e pouco cinematográficos, como muitas vezes acontece no cinema português). Mas o problema não é a adaptação do livro, porque até poderia ter sido adaptado de outra maneira mas ter saído disto um bom filme (como, na minha opinião, aconteceu com o «Voando sobre um ninho de cucos»). O problema é como a história é transposta para o ecrã, como decidiram recriar o universo «zambujaliano» para a fita. Como por exemplo a cena do assalto (ok, não puderam gravar na gulbenkian, mas também não era razão para fazerem aquela cena delirante de imagens como se fosse pop art).
Resumindo e concluindo, a «Crónica dos bons malandros» é um filme que não consegue viver por si próprio. Talvez seja melhor lerem o livro primeiro, se estão a pensar ver este filme. Recomendo que façam isso. Esta fita não é má, mas também não chega a ser algo que nos fique na memória por muito tempo.
Aliás, a única grande memória que tenho do visionamento desta obra é a frase proferida pelo Nicolau Breyner:
«PORRA que isto até mete audiovisuais!»

Nota: ***

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