The class is yours.

Para este ano letivo, a minha turma elegeu esta pessoa que vos escreve para ser o seu delegado de turma. Ou seja, aquela pessoa que vai às reuniões dos professores e pouco mais tem de fazer. Ou não? Vamos a ver, mas é que eu já fui delegado no nono e não precisei de fazer muito. Também era de notar que a escola do nono ano era diferente da escola do décimo.

Mas queria contar aqui um facto interessante (e sim, a palavra «facto», com o acordo, continua a levar o «c» porque se lê essa consoante!), que me tem posto a matutar, enquanto estive em volta de um mar de gravações da televisão, escrita, ideias e outras coisas que, se formos a ver, não servem para nada. São completamente inúteis.

Mas eu ia dizer...sim, bem, no ano passado, tinha-me candidatado também a isto para se ser delegado de turma. Talvez por ser o início do ano e sermos todos novos na escola, e também pelo «lindo» discurso de campanha que fiz, consegui a brilhante quantia de... zero votos. Ah pois. Nem um. Se tivesse votado em mim próprio, o murro no estômago talvez teria chegado a mais órgãos do meu sistema, pois seria o único, e aí se veria o meu grande egocentrismo (tenho algum, mas em certas coisas é melhor resguardá-lo). E este ano, não sei, ou porque passou um ano e a minha turma me conhece melhor, ou porque falei das eleições do ano passado, ou porque referi que tinha sido delegado no nono (também não era difícil. Havia só dois candidatos, e o segundo quis entrar só para dar ares de gabarola. Mas depois teve só uns seis ou sete votos. É como se costuma dizer, já foste), ou então porque, como uma colega minha referiu, eu fiz um «discurso à Passos Coelho» (ao ouvir em bico fiquei com os olhos em bico, mas ficaram tão bicudos que pensei que ainda me vazava uma vista), ou então, pura e simplesmente, as dez pessoas que votaram em mim (não votei em eu próprio porque nestas coisas ainda tenho uma certa seriedade), fizeram isso por gozo. Tal como os Homens da Luta terem ganho o Festival da Canção. Foi por as pessoas terem votado porque era giro. Talvez foi isso.

Mas o que conta é que agora eu tenho poder. Ah ah ah. Agora basta-me formar uma pequena máfia, começar a fazer um negócio normalzinho (como, sei lá, o Padrinho tinha o azeite), mas depois andava metido nos negócios das armas e do whisky falsificado. OK, desculpem, parece-me que ando a viajar um bocado no tempo, dado o meu grande consumo cinematográfico. Adaptando isso aos novos tempos, o que eu teria de traficar seria algo mais apropriado a esta nova geração.

Ou seja, pastilhas elásticas com muito açúcar e fotografias autografadas de miúdos dos Morangos com açúcar.

Mas agora, voltando a ser sério (pelo menos até ao final deste texto), haverá muito que fazer. Ou algumas coisas por fazer. Não é um grande trabalho, mas até tem a sua importância. E pode mudar. O que é que pode mudar, já não sei. Mas que pode mudar algo, é capaz.

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