sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Apocalypse now, ou Retrato da estupidez humana

Como todos devem estar a par, Londres e outras cidades inglesas têm sido alvo de ataques violentos de grupos de jovens a dar ares de chungas que instalaram o medo e o pânico nesse país que é a Inglaterra.
Comparo estes jovens a pequenos Mr Beans. Talvez sejam filhos ou sobrinhos dessa personagem. Talvez ele iria gostar de ver que os seus descendentes são iguais a ele, sempre a espalhar o caos por toda a parte. Se esta onda de violência chegar, por exemplo, a França, poder-se-á dizer que estes jovens foram influenciados a criar o caos pelo mítico senhor Hulot, de Jacques Tati, também perito em criar situações caricatas.
Mas a diferença entre Mr Bean e Senhor Hulot e estes gangues é que as duas personagens provocavam o desastre por serem algo desencaixados da sua sociedade e muito desajeitados. Já estes jovens, é porque gostam. E segundo um jornalista, é porque não têm nada para fazer. E acho que, ao menos, Bean e Hulot gostavam de ter um mundo pacífico, e não terror por toda a parte. Esses jovenzitos têm dado inúmeras desculpas para fazerem isto. Ah, a culpa é do governo, ou do aumento dos impostos, ou não sei quê. Não há razões para isto. Aliás, tomáramos nós, portugueses, ter as condições de vida dos ingleses! Se tivéssemos começado à pancada por a nossa vida ser má, já o nosso país tinha saído do mapa, há muito tempo...
Não há desculpa para se fazerem estas coisas... E não me venham dizer que isto é algo cívico, feito para o bem da sociedade! Anarquia comigo não, por favor! Não gosto disso.
E até penso que o Mr Bean e o Sr Hulot sejam pessoas mais espertas que esses jovens idiotas.
Tenho dito.

2 comentários:

  1. «E segundo um jornalista, é porque não têm nada para fazer.»

    Isto é um enorme disparate e uma das maiores doenças da nossa civilização ocidental, mas a raiz de muitos problemas. Tu não estás claramente neste lote: quando não tens "nada para fazer" procuras os teus próprios estímulos, vais ler livros, pensas, etc. Os momentos de aborrecimento dos melhores que se pode proporcionar aos jovens porque é neles que se obriga a pessoa a confrontar-se com o vazio, consigo própria. E nesses momentos geralmente têm-se ideias, momentos "ah!".

    Quando estamos constantemente a receber estímulos - televisão, jogos, anúncios, etc - o cérebro não pensa, é preguiçoso, é uma esponja. Mas depois precisa de dormir, de pausa, para consolidar toda a informação que lhe interessa, reter alguma e depois futuramente, em sossego, manipulá-la e associá-la.

    Se "matamos" o tempo sem estímulos, nada disso vai acontecer e temos uma sociedade em que há "lixo informativo", informação que literalmente "entra por um ouvido e sai pelo outro", e jovens que viciados nela não se bastam a si próprios.

    E criamos uma geração de jovens que não pensam. Que são incapazes de lidar consigo próprios porque não sabem o que querem fazer, não sabem como o fazer, não sabem para onde querem ir.

    A geração nem-nem. Nem estudam, nem trabalham é dos maiores problemas por resolver das actuais sociedades.

    E pessoas nesse limbo, sempre confrontadas com a sociedade consumista são profundamente infelizes porque não têm perspectivas de ganhar dinheiro, de emprego, nem de ter acesso a nada do que a televisão e o mercado lhes mostra: produtos caros, casas caras, carros caros, etc... então cria-se a necessidade e a frustração mas não se prove acesso aos meios.

    Então nasce a violência, o desejo de pilhar, roubar, para ter acesso artificial a esses meios que supostamente irão dar a tal "felicidade" e suprir a necessidade criada pelo mercado. Que por sua vez, é falsa, e passado pouco tempo de terem esses bens vai continuar tudo na mesma.

    Esta é a minha análise: enquanto não se resolver o problema das pessoas que não sabem o que querem fazer consigo próprias e não se bastam a si mesmas, tudo o resto virá por arrasto ao mínimo pretexto...

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