sexta-feira, 27 de maio de 2011

Mais um post sobre o concurso do DN (o último, garanto-vos!)

Bem, o concurso do DN já terminou.

Para o meu grupo já terminou antes, mas agora terminou para os finalistas.

Não quero voltar a falar na má organização e estruturação deste concurso, porque já o fiz num post anterior, mas agora fui vasculhar na minha pen e encontrei um documento precioso.

A reportagem original que foi escrita. Esta não foi publicada para o concurso do DN porque o que eles queriam para "reportagem" era uma coisinha muito mais pequena. E cada vez mais penso que nestes concursos o objectivo é fazer trabalhos maus. Eu não acho que este texto que vou postar esteja bom, mas estaria muito melhor se tivesse sido publicado em vez do outro, que era uma versão muito reduzida deste original.

Para o ano, vamos fazer uma reportagem fraquita. Tal como uns que fizeram e passaram à fase seguinte. Desculpem lá eu dizer isto e espero que ninguém leve a mal, mas os que ganharam na parte da «Cultura» (que era o nosso sector) tinham uma reportagem saída dos Morangos com açúcar! Pelo amor de Deus... Nem digo a nossa reportagem, mas havia reportagens que estavam muito melhor escritas (muito melhores que a nossa, digo) e não passaram.

Enfim, basta de paleio e de dizer sempre a mesma coisa e fiquem com o texto original do nosso projecto para a segunda fase do concurso do DN.

Conversa cultural
Nuno Galopim na Escola Rainha Dona Leonor.

Estava-se a 2 de Março de 2011, por volta das três horas da tarde. Na Escola Secundária Rainha Dona Leonor, estava prestes a começar a entrevista que o grupo Sounds of Silence preparou para o seu convidado, Nuno Galopim. Depois de resolvidos alguns contratempos relacionados com filmagens e do público que iria assistir à sessão, começou-se então a entrevista que serviria para fazer esta reportagem para o concurso Nescolas, uma iniciativa do Diário de Notícias.

A vasta cultura do convidado permitiu ao grupo uma conversa com Nuno Galopim sobre diversos temas. Rádio, música, cinema e jornalismo. Nuno Galopim respondeu a todas as questões, sempre com humor e boa disposição que cativou o público presente.

«Como é que chegou ao DN?» foi a questão que deu início à entrevista. «Pela porta da frente», respondeu Nuno Galopim, começando a mostrar os seus dotes comunicativos e humorísticos. Entre momentos que fizeram soltar uma gargalhada ao público e aos próprios entrevistadores, ficou-se a saber mais sobre o entrevistado e todos aprenderam algo mais sobre a cultura.

O grupo ficou a saber que começou no DN em 1994, mas a carreira de Nuno Galopim no jornalismo teve início no Expresso a escrever sobre ciência, pois tem formação académica de geologia. O seu primeiro artigo foi sobre dinossauros.

Só mais tarde, no Independente, começou a escrever sobre música, e críticas a «discos muito bons, discos muito maus, e discos assim-assim», mas especializando-se a criticar os piores discos. «Não era propriamente meigo na escrita», contou-nos Nuno. Mais tarde chegou ao Blitz, no tempo em que ainda era um jornal. «Soube que no Blitz gostavam daquelas maldades». Passados dois anos desde que tinha dado início ao seu trabalho no conhecido magazine, foi chamado pelo DN para criar um suplemento dedicado ao sector da música e da tecnologia, para «tentar chamar à atenção de um público mas jovem». Hoje em dia diz que, para se ser jornalista e mesmo radialista, «é preciso ter alguma “lata”, e também de uma boa história para contar», e admitiu que «as novas tecnologias são fundamentais não só no jornalismo, mas em tudo». E disse
também que não se deve generalizar a música nem os artistas. «Se uma casa é azul, e a segunda e a terceira também sejam azuis, pode ser que a quarta não seja», exemplificou.

Embora agora seja um dos principais locutores da RADAR, uma estação mais virada para a música rock, Nuno Galopim começou a fazer rádio na Antena 2, «porque a música que eu mais ouço desde miúdo é a clássica», explicou. Já entrevistou muita gente, mas gostava de entrevistar James Blake, um dos artistas revelação deste ano, que aconselhou vivamente.

Nuno Galopim contou também ao grupo a sua “odisseia” para escrever o seu livro Retrovisor: Uma biografia musical de Sérgio Godinho. «Embora exista uma enciclopédia em quatro volumes, há ainda muito pouca informação escrita sobre a música portuguesa». Escolheu o autor de Com um brilhozinho nos olhos para o seu livro por ser «um músico que acompanha a História do país, e que sabe falar para várias gerações». Mas em relação à música nacional, o jornalista e radialista defendeu a que é cantada na nossa língua, dizendo também que «Portugal tem bons músicos, mas tem melhores escritores.»

Sobre o facto da crescente onda de “covers” que aparecem no mercado da música, disse que isso já é «uma tradição», mas que hoje em dia há uma «preguiça nas pessoas. Não perdemos tempo a descobrir coisas novas, que não sejam reconhecíveis aos nossos ouvidos»

Houve também espaço para se falar de cinema. Nuno Galopim disse de sua justiça que este sector cultural tem um futuro que não se pode prever. Mas «apesar da tecnologia dar-nos hoje em dia meios para em casa vermos um filme em condições», salientou Nuno, «a experiência de estar numa sala de cinema é incomparável».

Depois dos membros do grupo terem atestado os dotes enciclopédicos do entrevistado, propuseram-lhe um pequeno desafio, que foi aconselhar discos a cada um dos membros, segundo as suas preferências. Uma tarefa que Nuno Galopim fez na perfeição.

E a crítica será ainda importante na cultura? «Hoje em dia, com todas as tecnologias, todos nós podemos ser críticos. Há uns vinte anos, era preciso ter uma aprendizagem e alguma formação para se ser designado de crítico e hoje em dia já não é assim.», Mas «é preciso alguma seriedade e formalidade».

Para terminar esta grande entrevista, os The sounds of silence pediram a Nuno Galopim para lhes informar dos seus projectos futuros. Gostava de fazer um segundo livro, e terminar os contos de ficção que começou finalmente a escrever, «embora pareçam textos jornalísticos». Gostava de continuar na RADAR, no DN, ser ocasionalmente DJ. Ou seja, quer continuar a fazer aquilo que mais gosta e que melhor sabe fazer. Divulgar e informar o público sobre as novidades da cultura, nacional e internacional.

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