sábado, 19 de fevereiro de 2011

N.º 42

E aqui vem o quadragésimo segundo capítulo deste policial que não ata nem desata.

Informações interessantes sobre o caso a ocorrer? Também nada vem neste capítulo.

Mas não perdem nada em o ler.

Perdem cerca de cinco minutos do vosso tempo.

Vá, para os mais minuciosos, cinco minutos, vinte e três segundos e quatro milésimas.

Este capítulo já está a fazer melhorias em relação ao anterior.

Enquanto que o outro foi colocado com quase uma semana de atraso, este é só com um dia...

Bom proveito!


Olho Morto, Detective Público

Um caso muito particular

Parte 42

Cheguei a casa, preparei o tabuleiro com o prato, talheres e copo, para colocar na mesa que está disposta à frente da televisão. Fui pôr a lasanha dentro do microondas, e enquanto esperava que estivesse pronta, fui escolher que filme é que ia ver naquela noite.

Depois de matutar durante alguns minutos (e entretanto o microondas já tinha dado o sinal que o trabalho estava concluído), decidi pegar num clássico, uma obra de grande culto do cinema. «Casablanca». Apetecia-me naquela altura voltar a ver o Humphrey Bogart a contracenar com a Ingrid Bergman. Ele, ali, o homem que sabe tomar uma posição. O homem rijo, que até deixa que a sua amada se vá embora, para que ela não se meta em sarilhos. Ah, tenho tanta inveja daquele tipo... Pena que nunca consiga ter aquela postura e aquela voz, que nunca sabemos bem se ele está contente, ou quer dar um tiro em alguém. Ah, quem me dera ser assim...

Aliás, até encontrava semelhanças na história do filme com a minha história real. Na película, os dois protagonistas recordam o seu passado amoroso, e depois voltam-se a encontrar. Comigo e a Anne, tinha acontecido mais ou menos a mesma coisa... mas de uma maneira à portuguesa... e também nunca receberia algum oscar, como aconteceu com o «Casablanca», de tão ridícula e telenovelesca que é a minha história. Mas, se eu pudesse, tocava ao piano a música «As time goes by»...

Acabado o momento de nostalgia, decidi ir-me deitar. Não tinha muito sono. Aí lembrei-me que já não lia há algum tempo. Decidi então pegar num livro para começar a ler, naquela noite, pelo menos uma ou duas páginas.

Fui até à sala (o passeio não foi longo, porque o apartamento não é grande), e na estante encontrei uma obra que ainda não tinha lido. «Noites Brancas» de Dostoievsky. E na verdade, era uma obra tão pequenina, que se lia tão facilmente, que acabei por lê-la toda de uma vez. Um conto sobre um homem que se apaixona por uma tipa que está à espera do seu amado, ou lá o que é... até achei interessante, a história, mas agora já não me recordo muito dela. Mas identificava-me, na altura, com o coitado do homem, solitário e sonhador...

Acabada a leitura, deitei-me e apaguei a luz. Já eram duas da manhã. Agora tinha de pensar numa maneira de como continuar a investigar o caso sem estar a fazê-lo efectivamente. Então tive uma ideia. Mas depois adormeci.

Continua...

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