Coisas que me irritam (n.º24) - Certas amizades...

Decidi voltar com esta rubrica há uns minutos atrás. Nada planeado. Foi no momento. Fui confrontado com uma dada situação, que mais abaixo irei explicar, que me fez ter a ideia de expôr o caso e dar a minha opinião sobre ele, num post do blog.

Não pensem que vou falar de amizades do género «más companhias». Até porque nem me interessam quem são as pessoas que vocês consideram ser vossos amigos... Leiam e já vão ver o que eu vos quero contar.

O que se passou foi isto: Há uns momentos falei com uma amiga minha (cujo nome vai ficar claramente anónimo) pelo chat do facebook. Para saber as coisas normais que se perguntam a uma pessoa que está longe e que já não vemos regularmente como dantes. «Está tudo bem?», «Como vai a vida?», «E a escola?». Coisas assim.

(E outras que não vale a pena mencionar, pois são demasiado parvas para aparecerem num blog digno desse nome!)

E, depois, decidi falar-lhe de uma coisa que já tinha ouvido pelos cantos (da internet, claro!). Perguntei-lhe se ela e outra rapariga, que em tempos antigos (há não menos de um ano) eram inseparáveis, se lhes tinha acontecido alguma coisa, pois já não falavam muito uma com outra no facebook (quando aparecem aquelas coisas nos feeds recentes... de vez em quando é bom para saber essas coisas... então as raparigas, num momento, diziam «friends 4 ever» e coisas do género uma à outra... e depois deixaram de o fazer). Tinham-me dito que elas já não eram mais amigas, e perguntei mesmo isso. Segundos mais tarde, ela responde «yh» (na gíria chatesca, yah, ou seja, sim - esta linguagem, por vezes, prega partidas...). Aí, eu começo a armar-me em Sherlock Holmes e pergunto-lhe incessantemente «porquê?». A resposta dela (ela deve pensar que isto é uma daquelas sériezinhas americanas em que dizem certas parvoíces como esta, só para serem muit «da moda»...), leiam bem: (a partir daqui traduzo o chatês, para ser mais cómodo ao caro/cara leitor/leitora) «já não dava». E eu volto a perguntar: «porquê?». Aí ela dá uma resposta mais concreta: «é que, tipo, não há razões.».

Ah. Fiquei mesmo esclarecido. Acabar com uma amizade daquelas em que as duas intervenientes vão proclamar aos sete ventos que não há amigas mais amigas que elas no planeta (e possivelmente na Lua... a não ser que viva lá um par de ET's muito amiguinhos... isto soa estranho), só pelo motivo de «tá na hora.». Isto dava um bom sketch, não dava? Do género disto (nada tem a ver com o caso em questão. É uma situação exagerada, esta de que falo em baixo, mas serve para exemplificar o que eu quero dizer com isto tudo. Tem duas intervenientes):

1-Olá. Olha, sei que somos amigas há muitos anos, eu nasci duas horas e vinte e quatro minutos antes de ti e ainda te vi nascer, os nossos Pais conhecem-se há séculos, eu moro na mesma rua e no mesmo prédio que tu, vemo-nos imensas vezes por dia, mas está na hora de acabar a nossa amizade. É uma coisa que me chateia, mas vá, tem de ser.
2-Pois é, tens razão. Então a partir de agora, quando passar por ti, olho de soslaio, e começo a falar mal de ti, se porventura estiver com alguém ao meu lado.
1-Exactamente.
2-E torno-me popular e esqueço-te para sempre, como se fosses uma espécie de má recordação?
1-Estás a ver como não é difícil?
2-Pois é. E olha, também posso roubar-te a carteira e tirar o dinheiro para comprar droga, e depois meto-a na tua mala e os teus Pais descobrem e ficas metida num grande sarilho?
1-Vês?! Até já estás a perceber isto. Vá, agora tenho de me ir embora. Quando eu disser 3, começamos isto, ok?
2-OK.
1- 1, 2.....3!
(olham-se as duas de soslaio, chegam-se a alguém e começam a falar mal uma da outra, e assim termina este bonito conto de fadas)

Na minha vida, eu não «desamigo» ninguém. Nunca «desamiguei». E ainda por cima sem motivo! Só porque «já estava na hora». Eu respeito os meus amigos, mesmo que fale mais ou menos com eles (e espero que eles também me respeitem), e sabem que podem sempre contar comigo.

Mas agora estas duas bestas (não têm outro nome, desculpem a vocês as duas se alguma vez vierem a ler este post) acabarem uma amizade (GRANDE) por causa de nada? Poupem-me...

Nisto os adolescentes (faixa etária onde eu me incluo) são para mim uma espécie de outra galáxia ompletamente idiota e paranormal! Fazem amigos e desfazem-nos como quem muda de roupa... Faz-me confuso o modo como certas pessoas fazem amigos. O que interessa é se é cool ou não... Coisas dessas que me IRRITAM PROFUNDAMENTE E ME FAZEM SENTIR QUE NÃO PERTENÇO A ESTA «CLASSE»! EU NÃO QUERO SER UM TEENAGER ASSIM!

Sendo assim, talvez não sou um teenager... sou uma pessoa preocupada consigo própria, algo maluca, mas feliz onde está e com o que tem.

Conselho para a vida: não desfaçam as vossas amizades por coisinhas de nada. Não abandonem os vossos amigos porque eles não têm a ver com o social (vendo as coisas, assim tenho umas pessoas que me desamigaram... eu não as desamiguei, mas enfim). Tenham muitos amigos e respeitem-nos todos!

Ao escrever este post, a «minha música» (que podem ouvir no post de baixo) serviu de inspiração para o concretizar. Porque quando decidi que ia escrever este texto, pensei «A música do Simon and Garfunkel vai-me ajudar» (já estou a ficar outra vez viciado nesta música... deixem estar que isto passa...), porque se tomarem atenção à letra, ela, de certa maneira, fala da amizade, e como eu quis mostrar neste post, as amizades são valiosas demais para se perderem assim à toa. E esta versão (a do concerto) foi perfeita para escrever isto!
Para terminar este post de uma maneira digna, sem que eu diga algo idiota que estrague a pintura a estas linhas que tanto suor fizeram escorrer, deixo duas citações. Uma já foi aqui referida, mas vale a pena voltar a falar. A outra... vejam o que é!
E assim fecho este post com chave de ouro.

Cada pessoa que passa na nossa vida, passa sozinha, é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra! Cada pessoa que passa na nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.
Charlie Chaplin

If you need a friend
I'm sailing right behind
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind


Paul Simon

PS - Acho que me faltou dizer muita coisa, pois com o stress de escrever isto rápido para a minha Mãe não chegar ao quarto a gritar «JÁ VISTE AS HORAS? CAMA!», devo-me ter esquecido de muita coisa ao longo do tempo em que fui criando esta crónica... Mas acho que a mensagem que eu queria deixar para vocês, caros leitores e amigos (se possível!) ficou presente...

Ficou, não ficou?

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