terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Uma pérola francesa

Enquanto os dois capítulos do «Olho Morto» não chegam, vou entreter-vos com mais uma crítica de cinema, das minhas. Daquelas que não se percebe patavina...

E depois ainda me vêm dizer que isto é escrito por um adulto... deve ser deve...

E fiquei muito contente porque hoje fui ao cinema pela 10.ª vez em 2010!

Ai, fiquei tão feliz...

Continuando, esta tarde fui assistir a um filme de animação, ao francês «L' illusionniste», por cá intitulado «O mágico».


Fiquei com curiosidade por ver este filme por dois motivos: para já por o realizador ser Sylvain Chomet, que foi o autor de outro grande filme de animação francês, «Belleville Rendez Vous», e depois porque nesta nova película o Chomet foi buscar um argumento do Jacques Tati que nunca chegou a ser filmado, e isso fez-me ficar curioso sobre como é que ele iria transpôr para animação um argumento de um realizador francês, onde os seus filmes estão repletos de pequenos pormenores, e que costumam ter um enredo não muito complexa, cheio de situações cómicas, como fazia tão bem Jacques Tati no papel do Sr. Hulot.

Fui ver o filme e digo-vos que, para quem já viu os filmes do Tati, nota-se que neste «L'illusionniste» há muitas marcas "Tatianas". A própria personagem principal, um mágico de, diria eu, meia-idade, tem muitas parecenças físicas e psicológicas do Hulot. Além de que o filme mostra algumas homenagens a Jacques Tati, como numa cena em que mostram um excerto de um filme dele (agora é ir ver ao cinema para descobrirem o porquê de mostrarem).

O filme usa o mesmo tipo de animação que «Belleville rendez-vous», ou não estivesse a falar do mesmo realizador.

Ao sair do cinema, várias pessoas andavam a discutir qual dos dois filmes do Chomet era melhor. Eu, ao princípio, tinha dito que era este (ai as minhas precipitações), mas acho que os dois têm características diferentes, que os fazem ter o mesmo nível de qualidade. O «Belleville rendez-vous» é uma grande história repleta de acção e com um humor extraordinário. O «Illusionniste» conta uma história mais simples, sobre a relação de um mágico à procura de público e de uma rapariguinha adolescente que encontra durante o seu percurso, com argumento de Jacques Tati, e com humor meio Tati meio Chomet. E que também me fez lembrar, em certa medida, o grande «Limelight - Luzes da Ribalta», de Charlie Chaplin.

O filme passou num ápice. Foi muito rápido, mesmo. E eu que pensava que isto ia ser realizado à maneira do Tati, em que os filmes, principalmente o «Mon Oncle» e o «Playtime - vida moderna», estão cheios de cenas, parecendo nunca mais acabar. Este foi mais soft, e foi muito bonito.

Vale a pena passar menos de uma hora e meia sentados em frente a um ecrã a assistir a esta fita. No meio de tanta animação vinda dos EUA, sabe bem que cá no Velho Continente também se fazem filmes com igual qualidade, ou até mesmo superiores.

E, em relação ao facto de ser 2D, eu acho que os filmes assim têm um carácter diferente que os 3D têm. Acho que este «L'illusionniste» está tão bem feito assim que em 3D seria completamente diferente, e as personagens não mostrariam as coisas que mostram em 2D. Aliás, como diz o próprio Sylvain Chomet num artigo do DN (que podem ler na integral clicando aqui), a força da animação 2D é que tem vibração e é imperfeita, como a realidade. As imperfeições são importantes quando lidamos com uma história com personagens humanas. Ajuda ao realismo, torna-o mais poderoso.

Nota também para a banda sonora, agradável de se ouvir e adequada ao desenrolar do filme.

É uma história bonita, que, desculpem se a expressão for pirosa, é para se ver com o coração. Nunca pensei dizer uma expressão assim...

Tenho dito. Agora ide ao cinema! IDE!

Ah, a nota que eu dou a este filme é 9/10.

Let's look at the trailer...

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