Já está cá mais um capítulo, também ele mais que ligeiramente atrasado...

Aqui vai, o capítulo que supostamente era de há duas semanas, do policial.

Este policial poderá dia chegar a estar impresso nas páginas de um livro (já várias pessoas me propuseram isso, e não só os meus amigos...).

Mas enquanto não vejo essa hipótese do policial andar por aí nas livrarias (e possivelmente em e-book, que é o que o pessoal gosta nestes tempos que correm... por mim não o fazia, mas se tiver mesmo que ser, se eu só tiver leitores de e-book... ai que vida... por isso prefiro não editar ainda o policial em livro e pronto...), fiquem com o 34.º episódio.


Olho Morto, Detective Público

Um caso muito particular

Parte 34

O restaurante era muito acolhedor. Já era um tique meu «fugir» a funerais, indo para um restaurante próximo. Não gosto simplesmente, como já referi, do que vem a seguir ao funeral… se é para ter conversa de café, não o façam à frente da sepultura do falecido!

Pedi uma garrafa de água fresca, e um bitoque para acompanhar. Mal tinha comido nos últimos dias, e estava esfomeado. Tenho de ter mais cuidado com a alimentação.

Notei que momentaneamente me tinha esquecido que o Finório também estava ali.

-Desculpa Finório, esqueci-me de te perguntar. Que é que queres comer?

-Oh chefe, não ‘tou com fome…

-É melhor comeres qualquer coisa rapaz… o dia ainda é longo.

-‘Tá bem… então pode ser uns filetes de pescada, chefe.

Fiz também o pedido do Finório, e o empregado que nos tinha atendido saiu a correr para a cozinha, onde se ouviu, em alto e bom som, um grito que pedia para se fazer um bitoque e uma dose de filetes de pescada.

Uma televisão ultra-gigante estava instalada à frente dos meus olhos, a alguns metros de distância. Consegui acompanhar alguns minutos de um jogo entre duas equipas de leste com nomes tão estranhos que não consegui memorizar.

E decidi começar a fazer um apontamento de tudo o que já sabia até então. Peguei no gravador, e liguei-o, a ver se conseguia ouvir alguma coisa.

Contudo, o barulho era tanto que mesmo com o som no máximo, nada conseguia entender do que tinha sido gravado. Por isso, fiz uma lista em que escrevi os nomes de todas as pessoas da turma, e umas linhas para cada uma delas para eventuais apontamentos.

-Chefe – perguntou o Finório – Que é que está a fazer?

-Estou a elaborar uma lista com os nomes de todos os suspeitos… É para me organizar melhor, sabes? Já tenho a cabeça cheia de tralha…

-Sim, sim, estou a ver…

Foi a única conversa em todo o almoço. Nem eu nem o Finório voltámos a abrir a boca para falar um com o outro até sairmos do restaurante. Eu estava empenhado na minha tarefa, e ele estava a acompanhar a partida na TV.

Ah! O almoço estava a saber-me tão bem… Enquanto terminava a minha tarefa de escrita, pedi a um empregado que estava próximo para trazer a carta das sobremesas.

Depois de averiguar, decidi ficar pelo costume.

-Queria uma salada de frutas.

E o Finório:

-Por mim, pode ser uma baba de camelo…

Ah, afinal o menino Finório até queria empanturrar-se…

No final, estava eu a contar o dinheiro para deixar na base metálica com o talão da conta (incluindo uma gorjeta de dois euros) quando ouço um burburinho, que significava que vinha aí uma multidão. Olhei para trás… e vi que eram os colegas todos que tinham decidido ir lá almoçar. Gaita! Agora que eu estava no fim é que eles tinham decidido vir…

Continua...

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