O vigésimo oitavo, com já muitos dias de atraso, uma semana e quatro dias, para sermos mais precisos...

E eis que chega mais um capítulo, novamente atrasado, do policial.

Logo, postarei o outro que falta, desta sexta-feira.

Para já contentem-se com este, está bom?

Olho Morto, Detective Público

Um caso muito particular

Parte 28

-Quem é a próxima... vítima? - inquiri ao meu assistente.

-É um João... João... hã, qualquer coisa... Não consigo ler! É muito complicado!

-Ah, é o João Petrovresky. Não é muito difícil de dizer.

-Mas por que raio este tem um nome tão esquisito?

A esta pergunta, respondi-lhe isto.

-Ora, meu caro Finório, para uma pergunta idiota, acho que merece uma resposta idiota. Porque não tentas usar a arte da dedução para resolver esse teu «enigma»?

-Hmm. - Respondeu ele, um pouco confuso. - Está bem, chefe.

-Vá, eu vou-te ajudar. Isto é apenas uma questão de se possuir alguma inteligência, meu caro amigo. Ora, vamos lá a ver, o Pai dele é originário da Rússia, e ele veio para Portugal, onde conheceu uma senhora portuguesa. Casaram-se, e tiveram o filho, e se não me engano, mais tarde, tiveram outro. Portanto, meu caro Finório, podemos concluir que...

Silêncio.

-Oh, vá lá, pá! É tão fácil! Podemos concluir que o apelido Petrovresky vem do lado...

-Ah, já sei! É do lado do Pai!!!

-Muito bem! Iupi! Palminhas para o Finório, que hoje aprendeu uma coisa nova! Queres um rebuçado?

-Ah, se o chefe tivesse aí, não recusava.

Não percebeu a minha ironia... que falta de inteligência! Às vezes até fico com náuseas!

-Ó Finório, eu estava a ironizar! Tens de estar mais atento às coisas!!!

-Hmm, está bem.

-Bom, estamos agora quase a chegar a casa do João.

-Chefe, eu prefiro ficar no carro. Quero pensar numas coisas.

-Ah, está bem.

Saí do carro, deixando a chave na ignição, e observei que À minha frente se situava uma moradia, que estava tapada por uma grade verde gigante. Toquei três vezes à campainha. Logo fui atendido, e a porta abriu-se automaticamente. Pude ver que a moradia afinal não era tão grande como vista de fora, com a grade a cobrir, e que era de cor branca. Uma mulher saiu pelas traseiras e veio ter comigo, usando um avental.

-Senhor Nelo, o João está lá dentro. Pode entrar.

-Obrigado.

Conduziu-me à sala, onde um homem sentado num sofá, de perna cruzada, lia um jornal de economia.

-João, está aqui o tal Nelo.

-Ah, sim, sim! - disse ele, levantando-se do sofá em minha direcção. - Nelo! Há quanto tempo! Já passaram tantos anos, pá... 'Tás igual!

-Eheh, obrigado, tu também - respondi-lhe, enquanto dávamos um caloroso aperto de mão.

-E o que te traz por cá? - perguntou-me.

E aí expliquei-lhe as minhas intenções, das perguntas que lhe iria fazer.

-Ah, claro que sim. Aliás, até tenho a tarde toda livre hoje!

Continuava simpático como sempre, o João.

-Vamos então começar - disse eu, sentando-me num ilustre sofá verde, ao mesmo tempo que punha no «ON» o meu velho amiguinho gravador de bolso.

Continua...

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