Cassetes! Ou Este post vai parecer uma edição da «Caderneta de cromos», só que com a diferença de ser pior!


Ah, a magia da fita magnética das velhas cassetes!

O desespero que era quando a cassete ficava presa dentro do gravador, e depois não se conseguia tirá-la!

Bem, lembrei-me de falar deste tema porque há dias ouvi uma edição da «Caderneta de cromos», famosa rubrica do Nuno Markl, sobre cassetes. E decidi deixar a minha história de vida sobre elas.

E vou-vos falari (o «i» é propositado) na minha relação com estas maravilhosas caixitas.

Quando eu era um moçito, venerava cassetes. De música e de vídeo. Lembro-me que tinha (e ainda tenho guardadas na arrecadação) uma colecção de cassetes de música, e numa estante enorme estão perto de 150 cassetes de vídeo.

Eu adorava pôr na aparelhagem preta que tinha no meu quarto o último sucesso dos «Patinhos» ou uma cassete qualquer de compilações, e ficava a ouvir, a ouvir, a ouvir. E começava a desesperar quando as cassetes começavam a dar mal (porque naquela aparelhagem muitas vezes as cassetes ficavam com um som um pouco diabólico e sinistro), e rapidamente tirava-a da máquina para não ouvir mais aquele som horrível. Mas depois punha outra vez, e continuava a ouvir.

E como a generalidade das crianças da minha geração, via e revia filmes em VHS. Papei os filmes todos da Disney milhões de vezes, assim como os do Tintin, do Dartacão, as tropelias do Bugs Bunny e mesmo os episódios da Pippi das meias altas (ok, momento embaraçoso... recordar gostos de infância... mas eu sou livre, ora essa! Expresso-me à vontade! Sei lá os vossos gostos... podem ser mais humilhantes que os meus!)

Ai... belos tempos (aliás, belos tempos nada! Prefiro ser como sou agora do que quando era um pirralho, mas era bonito ver aquele meu fascínio pelas cassetes...). E várias vezes o videogravador foi para arranjar (obrigado ao sr Jorge, marido da porteira cá do prédio, que deve ter ganho umas belas massas pelas múltiplas vezes que os meus pais foram lá pedir-lhe para que ele arranjasse o videogravador).

Um dia, fiquei desesperado quando apercebi-me que as cassetes estavam a começar a desaparecer. Veio o DVD. (música de suspense, género «Psycho»).

Eu costumava ir a casa de um amigo meu, que tinha uma larga colecção de DVD's, e ele sempre me fazia tremer como varas verdes com as suas visões apocalípticas anunciando o fim das caixas com fita. Eu, que que sentia um carinho tão especial pelas cassetes e tratava-as quase como bichos de estimação, tive medo que os meus amiguinhos desaparecessem para sempre.

Muitas foram as vezes que me revoltei contra o DVD, querendo mesmo fazer uma revolução que destruísse os DVD's da face da terra.

Hoje em dia eu sou adepto do DVD. Pelo preço tão barato e impensável a que chegou! (e que pode ser considerado como uma espécie de vingança sobre o VHS, do género «ahahah agora também não te safas!»)

Quando procurava a imagem para ilustrar este artigo e encontrei esta acima, vi que ela vinha de um post de um blog sobre as vantagens do DVD sobre o VHS. E lá dizem uma coisa que por acaso acho interessante. Na altura em que os DVD's começaram a sair, os VHS começaram a desaparecer quase forçosamente, para obrigar as pessoas a aderirem ao DVD. Foi o que senti na altura, que era uma verdadeira guerra e ditadura anti-VHS.E agora passa-se o mesmo com o Blu-ray.

Eu não vou trocar o Blu-ray pelo DVD, pelo menos nos próximos tempos! 'Tá bom que a diferença entre VHS e DVD é notável, mas a do Blu-ray não é suficiente para mim. Talvez, no dia em que eu seja obrigado mesmo a aderir ao Blu-ray, já inventaram outro formato mais xpto ainda.

E perguntam-se vocês, meninas e meninos: «E onde pára o teu leitor de VHS, ó Ruizinho?»

E eu respondo-vos: Está aqui no meu quarto. E depois de três ou quatro anos sem necessidade de ser arranjado, começou a dar sinais de envelhecimento, dando falhas por vezes quando está a reproduzir uma cassete. É que eu ainda a usava para gravar umas coisas, que achava interessante, e para mostrar relíquias caseiras da minha família, quando me pediam para passar os mesmos vídeos umas não-sei-quantas vezes.

Eu tenho uma fixação pelo caseirinho. Não com as cassetes, que sei que houve uma altura que gostei imenso, mas o DVD fascinou-me (por afinal ser muito acessível!), e na música, em que os CD's eram trinta mil vezes melhores (então com a aparelhagem que tenho na sala... uiuiui!), mas por exemplo com as televisões.

Eu prefiro televisões analógicas (como a grundig que tenho na sala, pesada como o caraças) às digitais. Acho a imagem mais definida, não sei. Mas quando tiver a minha casa, será impossível encontrar uma televisão fininha, e analógica...disse isto só para saberem. É claro que as digitais têm um som melhor, mas a imagem... parece-me pixelada...

Ah, e com o próprio cinema. Há uma mística em ir a cinemas antigos (como o King), em que antes de entrar na sala onde me vou sentar, consigo dar uma espreitadela na sala de projecções (bem, pelo menos na sala 2, que foi onde eu fui ver o «Capitalismo: uma história de amor»), e acho imensa piada às projecções à moda antiga, com as bobines. O cinema digital, bah, não tem a mesma piada, e nada tem a ver. Destrói tudo o que o cinema tem de giro... o gozo que dá ver quando é que aparecem riscos naquelas bobines, ou certas falhas deixadas passar pelas pessoas que deveriam tratar bem daquelas preciosidades...

Mas até mesmo com o vinil. Eu não sou grande fã do vinil, nem digo que é melhor ou pior que o CD, mas acho graça ao ritual de pôr o disco, colocar a agulha, e ouvir, e poder mudar as rotações (isso sim, tem muita graça... eheheh). Aliás, ápercebi-me da verdadeira magia do vinil quando uns tios meus puseram a tocar o disco do Simon & Garfunkel ao vivo em Central Park (e foi por isso que comecei a descobrir estes dois magníficos, que são dos meus músicos favoritos...).

Mas o VHS e as cassetes de música marcaram uma fase da minha vida.

Este post serviu para rebuscar memórias da minha infância há muito perdida no tempo. É bom recordar como eu me divertia com pequenas coisas, sem necessidade de playstations ou gameboys (porque os gameboys só apareceram mais tarde na minha vida, quando eu tinha 7/8 anos, e era um a preto e branco, o pocket, que tinha sido da minha irmã mais velha...)

Beijinhos para elas, abraços para eles,

Rui Alves de Sousa

Comentários

  1. UAU! Adorei a observação que fizeste sobre o VHS que tens em casa! Também tenho um que ainda funciona e de vez em quando lá me ponho a ver a Academia de Policia! :)

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  2. Tchii a academia de polícia!!! Eu adorava isso :D vi imensas vezes o 4.º filme, que sempre achei o melhor... aquilo é um fartote de riso...

    Obrigado pelo comment ;)

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