Análise à obra «O País do Carnaval»

(Este texto é um trabalho que fiz ontem, para Língua Portuguesa, em que tínhamos de ler um livro, e fazer um texto sobre ele. Publico aqui porque, enfim, também vai servir para encher espaço no blog. Amanhã vou ter de o apresentar à turma... aiaiai! Se puderem, dêem uma opinião sobre o texto. Demorei muito tempo para que ficasse como está agora... a porcariazinha.)

Escolhi para ler a obra O país do Carnaval, de Jorge Amado. Considerado por muitos o mais famoso e mais traduzido escritor brasileiro, a sua vasta obra foi adaptada para cinema, rádio e televisão. Foi autor de livros tão famosos e conceituados como Capitães da Areia, Gabriela, Cravo e Canela, Tieta do Agreste e O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, e recebeu inúmeros prémios vindos de toda a parte, como o Prémio Camões, em Portugal, no ano de 1994, e o Prémio Pablo Neruda, vindo da Rússia, em 1989. Foi Doutor Honoris Causa por diversas universidades um pouco por todo o mundo. O país do Carnaval foi o primeiro livro escrito pelo autor, quando este tinha dezoito anos. Publicado pela primeira vez em 1931, surpreendeu a crítica e foi considerado o melhor romance desse ano.
Queria ler este livro há muito tempo, porque o meu Pai gosta muito dele, e como já tinha ouvido falar de algumas obras dele (nomeadamente Gabriela, Cravo e Canela, que até gerou uma telenovela, e Capitães da Areia), achei que agora estava na altura de pôr a vista numa sua obra. E, para começar do princípio, li a primeira.
A história é, de uma forma muito resumida, isto: Paulo Rigger, um intelectual brasileiro que, a ordens do Pai, um agricultor de cacau, foi estudar Direito para França. Sete anos depois, Paulo volta ao Brasil, desembarcando na Bahia, num dia de sábado de Carnaval (várias vezes ele se pronunciará sobre o Brasil designando-lhe «o país do Carnaval»), desejoso de participar na vida política e intelectual do país. Lá, vive duas situações amorosas, que acabam mal, sente-se amaldiçoado com a sua má sorte, e entra num grupo de intelectuais, que irá mudar a sua vida, e a de todos os outros membros. Pedro Ticiano, um homem sexagenário, antigo jornalista, céptico e sarcástico, o líder e mentor do grupo, que, por escrever de uma forma completamente diferente e muito crítica, acabou por ser esquecido pela cultura e imprensa brasileira. Do grupo ainda fazem parte Ricardo Braz, um poeta que tenta fazer a vida na Bahia; o Gomes, jornalista e ao mesmo tempo ganancioso negociador, com alma de chantagista, que tem a obsessão de querer ficar rico; Jerónimo Soares, um bom rapaz, ingénuo, é o mais apagado dos amigos, e a sua vida é sempre perturbada com as questões incutidas por Ticiano; e por fim, José Lopes, o mais estranho de todos. Estes seis indivíduos, aparentemente diferentes, têm algo em comum: procuram a felicidade. Cada um tem a sua teoria para a encontrar. Só Pedro Ticiano, diz que só se encontra a felicidade, através da… infelicidade. José Lopes acredita que é através da filosofia, Jerónimo Soares, através da religião, e não digo mais, porque tira um pouco da graça ao livro, para quem não o leu. Várias peripécias vão acontecendo, sendo uma das mais importantes a fundação do «Estado da Bahia», um jornal feito pelo grupo de intelectuais, que visa atacar o Brasil. Depois, ao longo do tempo, várias coisas vão acontecendo durante o desenrolar dos tempos, o Gomes praticamente deixa de existir, Ricardo Braz acha que conseguiu encontrar o verdadeiro sentido da sua existência, José Lopes e Jerónimo Soares, também. Cada um tinha seguido caminhos opostos, e apenas Paulo Rigger achava que não tinha ainda encontrado o sentido da sua vida. Até que, quando acontece algo de grave a um deles (não revelo o nome do sujeito nem o que lhe aconteceu por circunstâncias que devem perceber, do tipo «Ah, se não leram o livro, então não vale a pena estar para aqui a falar de coisas que depois, se vocês tiverem oportunidade de o ler, já não vão saborear tanto a leitura como eu»), faz mudar tudo. E aí, enfim, chegamos ao final da história, que também não vale a pena revelar.
Gostava de apenas acrescentar uma pequena opinião crítica sobre esta obra.
O livro fala-nos do cepticismo dos intelectuais, de um país sem princípios éticos nem preocupações filosóficas ou políticas, na década de 20 do século passado. É uma crítica a um Brasil que, na altura, parecia não ter um rumo a seguir.
Jorge Amado, com uma perspicácia e genialidade pouco fáceis de encontrar, sobretudo na literatura brasileira consegue, mesmo que na altura tivesse 18 anos aquando a publicação de O país do Carnaval, uma história original, diferente e que retrata a sociedade daquele tempo, que em alguns aspectos, é perfeitamente actual. E é o verdadeiro exemplo de que a quantidade não é a mesma coisa que a qualidade, porque mesmo sendo uma obra pequena, de 150 páginas, está muito bem estruturada. Enfim, política, ideais, romance, traições, dinheiro, literatura, filosofia, alguns tabefes e muito samba e Carnaval são os ingredientes-chave deste livro de sucesso de Jorge Amado, numa narrativa deliciosa, que põe em causa também as diferentes mentalidades dos membros do grupo. Paulo Rigger é o centro da história, o principal, e acho que foi a personagem que mais me marcou, porque é um miserável com a vida que leva, e não consegue encontrar o verdadeiro sentido da sua existência! Nesta parte, identifico-me com ele (já na outra, envolvendo namoros e sexo feminino, é que parece que já fico um pouco aquém dele… mas enfim, isto não é a minha biografia!)
É claro que não é o livro indicado para quem leia pouco, ou para quem só aprecie literatura que não dê alguma ginástica mental (porque neste livro, Jorge Amado tenta que, em algumas partes, o leitor reflicta sobre certos aspectos da vida), mas quem goste de boa literatura, é o livro ideal.
Agora, irei ler mais livros dele, e tentar conhecer melhor a literatura brasileira. De uma terra de onde saíram grandes músicos (exemplificando, Vinicius de Moraes, Tom Jobim e Chico Buarque), excelentes escritores não faltam, e este é um deles.
É com casos destes que pensamos: «Já não há gente assim!»

Comentários

  1. Um pedante com a mania que percebe de Português10/10/10 19:38

    Apenas alguns comentários e gralhas que me subjaz dizer:

    «pôr a vista numa sua obra», melhor «obra sua»;
    Não comeces uma frase por «E,».

    «A história resumindamente fala de...» fica melhor, aquele «Isto» soa mal ali, não é discurso fluido.

    «designando-lhe» não. «Designando-o».

    «o líder e mentor do grupo,»...

    Qual grupo? Começas a descrever um grupo mas não o introduzes o leitor fica confuso. Seria melhor uma frase prévia a explicar que grupo é este e qual o seu contexto e depois, então, começar a descrevê-lo.

    «; e por fim,», falta vírgula «e, por fim,»

    «mais estranho de todos», porquê? Fica no ar. Dá uma dica ou uma pequena justificação para a "estranheza".

    «Até que, quando acontece algo de grave a um deles (...), faz mudar tudo», lê o que escreveste, soa-te bem? Ficaria melhor «tudo muda», ou algo assim. Nas frases demasiado compridas tendemos a perder-nos, procura não as fazer. Frases curtas e simples são melhores para o discurso.

    «Jorge Amado, com uma perspicácia e genialidade pouco fáceis de encontrar, sobretudo na literatura brasileira consegue,»

    «Agora, irei ler mais livros dele, e tentar conhecer melhor a literatura brasileira. »

    Lê estas duas frases que escreveste. Isto faz sentido? Admites que não conheces bem a literatura brasileira e antes fazes uma afirmação bombástica que a sua perspicácia e genialidade são pouco fáceis de encontrar... se não conheces uma realidade não fales ou produzas afirmações sobre ela. Não ignores Machado de Assis ou muitos outros autores Brasileiros também "geniais"... no fundo o que quero dizer é: tem cuidado com afirmações generalistas e para as quais não tens fundamento. No futuro pode ser a morte do artista. Tenta ser rigoroso nas coisas que dizes. Se não sabes do que falas não inventes. Há milhões de maneiras de se elogiar ou passar uma ideia sem pôr os outros em causa :)

    «E é o verdadeiro exemplo de que a quantidade não é a mesma coisa que a qualidade, porque mesmo sendo uma obra pequena, de 150 páginas, está muito bem estruturada. Enfim, »

    Eu chamaria isto de larachas. Pareces um vendedor de banha da cobra a impingir o livro :) No teu nível talvez seja aceitável, mas no futuro terás de justificar muito bem afirmações deste tipo. Porque dizes que a obra é "muito bem estruturada"? Fizeste um esquema da sua estrutura? Quais são os critérios para uma obra ser muito bem estruturada?

    Não te melindres com estas coisas. O texto está bastante razoável e já sabes que vais ter boa nota, mas quero-te chamar a atenção para coisas que no futuro já não te vão perdoar (imaginando que farás universidade e mestrados e patati patatá). Quanto mais cedo se começar a levar na cabeça melhor.

    Parabéns, continua, e lima algumas arestas :)

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  2. Era exactamente deste tipo de resposta que estava à espera!!! Obrigado, pedante com a mani que percebe de português, eu sei que a minha escrita é muitas vezes muito «porca» (e peço desculpa pelo termo) e uma ajudazinha vale sempre a pena. Obrigadíssimo!!!

    PS - Na altura esqueci-me do Machado de Assis. Também é outro grande escritor brasileiro...

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  3. E agora vou tentar melhorar ao máximo o texto...

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  4. Um outro pedante com a mania que percebe de Português19/10/10 17:53

    Como correu?

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  5. MAAAAL

    não sabia como era para apresentar... tive um razoável... mas a professora ia ver o texto para dar a nota definitiva... façam figas!!!

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