Este policialzinho nunca mais acaba!

Digo eu para os meus botões.

Enfim, fiquem com mais um capítulo desta história misteriosa, que esta semana teve novos desenvolvimentos.

É ler p'ra crer!

Olho Morto, Detective Público

Um caso muito particular

Parte 17

Reparei que o Finório não se encontrava no escritório.

-Onde está o Finório? - Perguntei a um colega.

-Ele não veio. Disse que estava com febre.

-Hmmm... Está bem. Obrigado.

Saí do escritório e achei que podia ir a pé, já que era tão perto dali a casa do próximo interrogado, interrogada, neste caso. «A gasolina está cara. É preciso não desperdiçar!» reflecti.

Cheguei ao prédio, que era relativamente grande, 8 andares, num tom amarelado, e toquei à campainha.

Ouviu-se uma voz.

-Sim?

-Bom dia - respondi. - Ou boa tarde. Enfim. Sou Olho Morto, detective, e estou a investigar o caso relacionado com a morte de Rui Sousa, e precisava de lhe fazer umas perguntas.

Depois de alguns segundos de espera, a porta abriu-se.

Depois de ter subido três andares, encontrei uma rapariga, muito bem arranjada, mais ou menos gira, que pensei que fosse a Carla. Pelo menos era o que eu me lembrava dela, era aquela fuça. E não me enganei.

-Nelo - disse ela - És tu?

-Sim, Carla, sou eu.

-Ah, que susto, com aquele nome pensei que fosse algum detective de outro mundo, mas afinal és tu! Enfim, o mundo é pequeno. Então, vieste "interrogar-me", foi?

-Sim. Para que foi essa entoação no «interrogar-me»?

-Nada, acho um termo engraçado. Entra, entra.

Entrei no apartamento. Maior e acolhedor que outros onde anteriormente tinha estado, fui caminhado para a sala.

-Tu não vieste, pois não? - perguntou-me.

-Não, não fui.

-Também, deixa estar que não perdeste grande coisa.

-Bom, pela formalidade, vou ter que te fazer umas perguntas. Não te importas, pois não?

-Não, claro que não. Aliás, quero mesmo ver quem foi a besta que envenenou o Rui.

-Ou as bestas... - retorqui.

-Pois.

Peguei no mini-gravador.

-Importas-te que o ligue?

-Força aí - respondeu-me ela.

Liguei-o então e comecei o interrogatório.

-A que horas chegaste?

-Onde?

-A casa do Rui, nessa noite.

-Ora, deixa cá ver... Passavam 5 minutos das 10. Acho que fui uma das últimas a chegar.

-Hmm... ok. E o que te lembras desse dia?

-Bem, houve um convívio agradável, o jantar, muito bom, até, que começou por volta das 22h35, aquele discurso, um tanto estranho...

-Sim - interrompi - Já mo mostraram.

-Ah, ficou gravado?

-Bem, sim. A Ana gravou...

-Ah, acho que vou pedir-lhe para me passar. É uma pérola. Mas do que é que eu estava a falar?

-Estavas a dizer-me o que te lembravas desse dia.

-Ah, sim. Depois, estava a correr tudo normalmente, até que, mais ou menos às dez para as onze, o Rui caiu, morto pelo veneno!

-Hmm... ok. O André também disse isso. Tens a certeza de que não sabes de mais nada?

-De que eu me lembre, não.

-Oh, vá lá Carla. Se arrumares a tua memória, talvez te lembres de algo importante. Já houve pessoas que tentei que me dissessem algo mas não disseram. Acho que escondem alguma coisa.

-Quem?

-Isso não interessa, por agora. Mas tu podes-me ajudar.

Ela ficou a pensar um pouco. Será que só as mulheres é que eram as pessoas que eram mais simpáticas, nestes interrogatórios? Até agora, os homens eram um pouco rudes, e as mulheres mais espontâneas... Enfim. De repente, fez-se-lhe luz.

-AH! Lembrei-me de uma coisa! - exclamou ela.

-O quê? O quê?

-Mas não acho que isto ajudará. Ouvi uma voz, assim a sussurrar, de repente, que disse «Já falta pouco tempo...»

-Hmm... de facto até ajuda!

Levantei-me e despedi-me dela, deixando-lhe habilmente na mão o meu cartão de visita.

-Obrigado Carla! Ajudaste-me imenso.

-Oh, não queres ficar cá mais um pouco? Tomar qualquer coisa?

-Obrigado, mas não posso. Tenho ainda muito trabalho pela frente. Adeus!

-Adeus!

Já ia a descer as escadas quando me lembrei de lhe perguntar uma coisa, que tinha perguntado antes ao André.

-Só mais alguma coisa. Lembras-te de quem ainda não tinha chegado a essa hora?

-Ah... olha, o Martim ainda não tinha chegado! E... e... - pensou um pouco - E acho que também faltava o Nuno!

-Ok, obrigado! Adeus!

Aquela pequena pista que ela me tinha dado confirmava que a minha teoria de haver mais que um assassino era verdadeira!

Agora, ia ao próximo inquirido.

Isto começava a tornar-se interessante!

Continua...

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