E porque hoje é sexta-feira...

Aqui fica mais um capítulo do policial...

Olho Morto, Detective Público

Um caso muito particular

Parte 19

A empregada logo foi ter com ele a dizer que tinha uma pessoa que queria falar com ele.

Levantei-me da cadeira onde estava sentado quando o Daniel chegou à sala, e dirigi-me a ele, que à primeira vista, não me reconheceu. Só depois de me ter apresentado.

-Então Daniel, como estás? Sou o Nelo, da escola. Lembras-te?

Aí ele percebeu quem eu era.

-Aaaah! Nelo! - deu-me um aperto de mão - És tu! Já não te via há tanto tempo que não te reconhecia! Então, como te vai a vida?

-Ah, vai-se andando, vai-se andando.

Aí, lembrei-me da imagem que tinha do Daniel nos tempos de escola. Um miúdo rebelde, com milhentas namoradas, e que se metia nos mais vulgares sarilhos da adolescência (digamos que à volta de «fuminhos» e «bebidas», se é que me compreendem) , mas com quem conseguia meter conversa. Pequena, mas dava para se poder falar com ele.

-Que fazes tu, agora? - perguntei-lhe.

-Trabalho na retrospect-X. Sabes o que é?

-Hmmm.... - pensei um pouco - Esse nome não é estranho.

-É uma empresa de videojogos. Eu sou o fundador. Criei-a há uns anos - disse ele todo gabarolas. - Recentemente ganhámos um prémio num festival de tecnologia.

-Ah, a sério?

-Sim, de «Jogo do Ano».

Pena que eu não percebesse nada de videojogos. Não me cativavam, pronto. Mas os únicos que gostava eram o Super Mario, e também o Tetris. Ainda tenho lá por casa o game boy a preto e branco que me deram há imensos anos, e que vinha com estes jogos, e de vez em quando lá vou eu jogar um bocadinho...

Felicitei-o pelo prémio obtido.

-Epá, parabéns. Eu não percebo muito dessa temática, mas é um grande feito!

-Ah, de nada. Olha, já agora... - Saiu da sala por uns instantes e voltou com uma caixa com um CD. - Este é o «demo» do jogo. Se gostares e quiseres o jogo posso-te fazer um descontozinho...

-Oh, obrigado - disse eu, pondo aquilo no bolso esquerdo do meu casaco.

-E tu, que é que tens feito? - perguntou-me ele.

-Bem, eu sou detective.

-Uau, então deixa-me adivinhar. Tu estás aqui para me fazer umas perguntas sobre a morte do Rui, não é?

-Brilhante, Holmes! - Respondi. Ele soltou uma gargalhada.

-Ok, ok. Tu não estiveste presente, pois não?

-Não. Mas posso então começar com o interrogatório?

-Claro. - respondeu-me.

Saquei do mini-gravador.

-Importas-te?

-Não, não. Usa o que precisares.

Liguei-o e comecei com as perguntas.

-Muito bem. A que horas chegaste a casa do Rui?

-Hmm... eram... ora, já passavam 10 minutos das 10. Acho que fui o último a chegar.

-Ok. O que te lembras desse dia?

-Bem, foi uma noite simpática. Estavam todos bem dispostos, o jantar já tinha começado, e 5 minutos depois, o Rui deu-nos um discurso, quase um testamento...

-Sim - interrompi - Já ouvi isso. A Ana gravou.

-Ah, uau. Não sei porquê, fez-me lembrar aquelas cenas dos policias, todas macabras. Enfim, depois, voltou tudo ao normal, como se não tivesse acontecido nada...

-Mas porquê? Porque é que depois desse momento, tudo voltou ao normal?

-Ora, a maior parte dos presentes (incluindo eu), pensávamos que fosse uma daquelas brincadeiras que o Rui costumava fazer...

-...tipo Andy Kaufman, no 9.º ano. - interrompi novamente. - Sim eu lembro-me disso. E depois, o que aconteceu?

-Bem, e depois por volta das dez para as onze, o Rui caiu, morto. E é tudo.

-Não te lembras de mais nada?

-Assim de repente, não.

-Hmm, ok. Toma o meu cartão de visita, se te ocorrer algo.

-Obrigado. - agradeceu ele, metendo o cartão no bolso da camisa que tinha vestida.

Desliguei o gravador e disse-lhe:

-Bem, tenho de ir. Obrigado pela tua ajuda.

-Adeus. - respondeu ele - espero que descubras a solução disto.

-Pois, isso é o que eu também queria. Até depois!

A empregada abriu-me a porta, agradeci e a correr fui de novo para o carro.

Parecia-me que ele não estava a mentir. Este podia ir para a lista dos «provavelmente inocentes».

Até agora, estes inquéritos tinham sido bastante inconclusivos. Até chegava a duvidar se iria conseguir resolver este caso.

Ia agora para o próximo suspeito quando recebi um SMS do Finório, que dizia o seguinte:

Xefe, voltei escritorio. Venha pa cá depressa k veio aqui há bocado os gajos das autópsias c os resultados da autópsia ao Rui. Finorio

Caramba! Porque é que as pessoas não aprendem a escrever como deve ser?

Enfim, entrei no carro, meti o prego a fundo, em direcção ao escritório.

Continua...

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