Coisas que me irritam (n.º 20) - O cinema português...

... mais conhecido por «Xanax em forma de fita magnética».

Quem é que tem o prazer de ir à bilheteira de um cinema e dizer «Olhe desculpe queria um bilhete para o filme português novo do Manoel de Oliveira, para a sessão das quatro e meia.»?

Ah... os intelectuais, pois...

É por isso que todos os filmes portugueses experimentais (uiii que Portugal abundam tanto) e os de autor têm até 1000 espectadores, e o resto de filmes feitos em Portugal são eróticos e são os mais vistos de sempre (com um milhão de espectadores... chiii).

Há minutos, no programa «Câmara Clara», a apresentadora perguntava «Como é que os Portugueses vão ver mais cinema na sua língua?»

Eu respondo, deixem-se estar e nem precisam de pensar a vossa resposta.

A minha resposta é: Façam filmes de jeito. Sem serem filmes de autor ou experimentais, ou filmes que mostram meninas um pouco descobertas, de que o «povo gosta».

Façam filmes... normais, 'tá bom?

Nesse mesmo programa, certos realizadores de filmes... à portuguesa falavam da falta de investimento nesta arte em Portugal. Pudera! Com filmes mais secantes que a nossa língua ressequida se se estiver no deserto do Sahara (ok, mais um trocadilho parvo.)

Que não sejam nem lentos, dos quais o Manézinho de Oliveira é especialista (uma vez estava a dar um filme dele na RTP2. Estavam a mostrar uma árvore. Aproveitei para fazer zapping por outros canais, e 5 minutos depois, lá estava o raio da árvore outra vez), nem parvos (como é o caso daquele filme dos travestis, que pode ter sido aplaudido num festival de cinema de Nova Iorque mas por mim é que não é aplaudido de certeza, ou então aquele filme que agora aparece o trailer na televisão em que aparecem pessoas a dançar num prédio parvo e no final um homem dá um estalo a outro. Nem mais, é mesmo parvozecozinho), nem eróticos (sem comentários).

Poderiam fazer-me esse favorzinho, ó senhores-responsáveis-pela-sétima-arte-em-Portugal? Hmmm?

Espero uma resposta.

Mas é claro que nem tudo é mau, pois há bons filmes em Portugal, como as comédias com o Vasco Santana e o António Silva, e filmes dramáticos da «Balada da praia dos cães» e o «Adeus Pai», mas É PENA QUE EM PORTUGAL FILMES BONS PRODUZAM-SE POUCOS
(tive de acrescentar este parágrafo para não provocar mais mal-entendidos como aconteceu nos comentários aí em baixo. Eu, com a minha precipitação em publicar, tinha-me esquecido de referir que também há filmes bons em Portugal, e podem ler mais sobre a minha opinião desta temática nesses comentários, que devem estar mais objectivos do que este post...)

Mas pronto, vamos a ver se isto nos próximos tempos fica melhor...

Agora, vou aquecer a água para me ir deitar.

Até amanhãzinho.

Comentários

  1. Um espectador indignado.19/4/10 04:18

    Agora é a minha vez de achar irritante este post que revela uma profunda falta de análise ao tema em questão. Não se pode pôr no mesmo saco "o Cinema Português" ou "os filmes do Manuel de Oliveira", ou até mesmo "os filmes comerciais de pacotilha para os incultos verem só porque tem mulheres nuas".

    Há imensos bons filmes Portugueses, pena que estejam mal divulgados. Mas se calhar nem estão tanto, e alguns, se calhar até os conheces. E se não conheces deverias saber que existem e vê-los antes de criticar.

    Nada como começar pelo princípio:

    Conheces os filmes ainda a preto e branco e que tem uma qualidade inegável e que ainda hoje põem muita gente a rir ou com lágrimas?

    Falo de "Aniki Bobó", "O pátio das Cantigas", "A canção de Lisboa", "o Pai Tirano", "o Leão da Estrela". Qualquer um destes filmes atira as merdas do cinema americano (tipo american pies e jackie chans e rambos e afins) para um canto.

    Se avançarmos no tempo tropeçamos nuns quantos do genial João César Monteiro, que fez coisas decentes como "Recordações da Casa Amarela", "A comédia de Deus", "As bodas de Deus". Filmes destes andavam os Monty Phyton a aprender a fazer. No reino do absurdo e do sarcasmo não há melhor. Mas provavelmente só os consegue entender quem é mais velho ou leu muitas coisas. Não espero que os consigas entender agora. A história da "Branca de Neve" temos de a entender como um protesto por os filmes anteriores dele não terem tido apoio do estado, portanto esse como filme não conta, só como protesto.

    Se avançarmos para tempos mais recentes temos muitos de cinema realista como eu não vejo por aí. Falo do "Até Amanhã Mário" sobre os meninos da Madeira, dos "Mutantes" da Teresa Vilaverde sobre adolescentes vagabundos de Lisboa, do "Zona J" com o mesmo tema, do "Jaime" do António Pedro Vasconcelos ou do "Adeus Pai", "André Valente" ou mesmo do "Amo-te Teresa". Portugal curiosamente sempre fez muito bons filmes a retratar a época da adolescência. Tu como adolescente deverias conhecer estes filmes. E se conheces e não te tocam, então não sei que dizer. Deves andar desligado da realidade.

    Ainda noutro universo tens um retrato muito crú do mundo da droga no "Quarto da Vanda", num misto mais surreal tens "O Fantasma" e o "Odete" do João Pedro Rodrigues, muitíssimo expressionistas.

    Finalmente, numa onda talvez mais cool, há o "Querido mês de Agosto", a genial comédia com a Maria Rueff "Querida Mãe" ou a multi-premiada "Alice" de 2005.

    Cinema Português há-o muito bom. Agora não esperes é encontrar explosões e acção empacotada, muito menos ficção científica à la Spielberg, ou mesmo coisas à Lost, Dr House ou CSI ou tretas dessas que andam muito na moda da ficção americana. Isto é outro universo.

    Mas também não é tão negro, nem tão lento quanto as Oliveirices Teatrais que, sim, não há pachorra.

    E claro, há muitos maus, como o Call Girl, o Padre Amaro, A mulher que queria ser presidente dos Estados Unidos, o Tentação, etc, que queres ser cópias rascas de coisas que se fazem muito melhor lá fora.

    Informa-te um bocadinho mais. Vê trailers. Mas não fales antes de conhecer nem generalizes.

    Papinha feita:

    1. http://www.youtube.com/watch?v=yG5u7-mVORU

    2. http://www.youtube.com/watch?v=WVR6pdQWAYQ

    3. http://www.youtube.com/watch?v=3UjS5uQkyhA

    4. http://www.youtube.com/watch?v=sOt3_HdmDsU

    5. http://www.youtube.com/watch?v=Gru7zcWUpMA

    6. http://www.youtube.com/watch?v=4FMsi7Do50k

    etc...

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  2. Caro espectador indignado,

    OK, podem filmes portugueses bons (aliás, eu sou um grande fã das comédias do Vasco Santana e do António Silva), mas na minha opinião, o melhor cinema feito em Portugal foi o desse tempo, anos 40 e 50, onde Portugal se assumiu como um país cómico.

    Há bons filmes portugueses em Portugal feitos nos nossos dias, mas são para aí 10%.

    E aliás, eu não pedi para se fazerem filmes do género do Rambo e do Terminator (odeio esse género de filmes), mas com a breca, SE OS PORTUGUESES TIVESSEM VONTADE DE FAZER FILMES QUE TODOS OS PÚBLICOS GOSTASSEM DE VER E QUE PENSASSEM NESSE FILME DIZENDO QUE QUEREM-NO REVER MONTES DE VEZES!

    Peço imensa desculpa, mas nos filmes portugueses deste século, isso não acontece.

    Sabe qual seria o filme ideal português, para mim?

    Era aquele em que a história é boa, e o elenco, e a realização, e a música.

    Infelizmente, em Portugal, isso já é raro.

    E, muito infelizmente, também noutros países isso está a acontecer.

    Por outro lado, certos países do Velho Continente conseguem sempre fazer filmes bons, como é o caso da Itália (exemplos: «A vida é bela», «O carteiro de Pablo Neruda», «Cinema Paraíso» e «A melhor juventude», que acho que são filmes que todos deveriam ver).

    Mas não há só filmes bons portugueses da primeira metade do século passado. Há também (alguns) desde a segunda metade do século, e que acho grandes obras, como a «Balada da Praia dos cães», «D.Roberto» e uma comédia com o Herman que agora não me recordo o nome mas é genial.

    Em resumo, acho que os realizadores deveriam pensar em fazer mais filmes bons.
    Não falo em filmes comerciais, da treta, na minha opinião, como os que mencionou. Falo de filmes premiados com óscares de Melhor Filme Estrangeiro - que em Portugal só aconteceu com o Alice - e não só com a Palma de Ouro em Cannes, pois o júri em Cannes é diferente do Americano pelas devidas razões.

    Será que é pedir muito? Não me diga, sr esspectador indignado, que Portugal é um óptimo país para concorrer aos grandes festivais INTERNACIONAIS, e não só aos Europeus!!!

    Eu gostava que Portugal ganhasse um estilo próprio de fazer BONS FILMES!!! Nem é a imitar os americanos, que acho isso falta de criatividade, mas fazer os seus próprios filmes pensando no seu próprio país! Por exemplo, poderiam fazer mais filmes biográficos como o da Amália (de argumento não é grande coisa mas está muito bem realizado), ou históricos ou baseados em livros, ou até com guiões próprios (desde que não sejam feitos pelos srs guionistas que adoram pôr palavrões para todos os guiões de filmes que fazem!

    Cumprimentos

    Rui Sousa

    PS - Por favor, não compare os Monty Python à «Comédia de Deus», que é a mesma coisa que comparar carne com peixe!

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  3. E só mais uma coisinha, por acaso conheço cerca de 80% dos filmes que no seu comentário falou, pois gosto de pesquisar sobre as coisas antes de falar. Mas, que eu saiba, se há bom cinema português de agora, então deveria fazer-se mais publicidade a eles, mas parece que EM PORTUGAL NÃO ESTÃO DISPOSTOS A ISSO...

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  4. Dos filmes que mandou o link, a «zona J» e «Jaime» já tinha visto, as «recordações da casa amarela» apeteceu-me ver e os outros dois não me interessaram...

    Obrigado pela sugestão e por favor, da próxima vez que mandar um comentário não insulte, está bem? Eu conheço bem melhor o nosso cinema e a nossa cultura do que maior parte dos «garotos» da minha idade... Se eu fosse normal, conheceria as comédias «de ouro» portuguesas»? E apreciaria o humor do Solnado e do Herman?

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  5. Um espectador indignado.19/4/10 20:38

    Não te quis insultar rui, longe disso ;)

    Era mais numa perspectiva de te provocar. Eu divirto-me bastante com os teus posts, mas por vezes penso que te precipitas nas tuas análises ou falas pela rama e depois esqueces-te de muitas outras coisas para trás. Foi apenas nesse sentido a minha reacção, espero que não tenhas levado a mal. Afinal, até serviu para provocar debate e, eventualmente, informar outros leitores que possam andar mais ao lado.

    Gostos não se discutem, e com certeza haverá pessoas que não concordem sequer com estes filmes que mencionei, e outros que gostem de outras coisas. Apenas o assunto ficou mais discutido e há mais sumo por onde pegar...

    Continua a irritar-te com o que não te parece bem, é saudável protestar para ver se o mundo anda pá frente!!!

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  6. OK :D

    Pois, esse é um dos meus grandes defeitos, precipitar-me a dizer as coisas, e admito isso...

    É por isso que no policial estou a tentar ser o mais sucinto possível, e vou tentar daqui para a frente também fazer isso nesta rubrica.

    E também não é o único a gostar de provocar as pessoas... :D

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  7. Eu até pergunto sempre aos meus amigos que me «fazem o favor» de ler o blog se percebem o que escrevo, e eles dizem-me que sim. Só que quando eu olho para a minha escrita penso que as pessoas a vão achar confusa...

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  8. Hey eu percebo o que escreves, não acho nada confusa... talvez muitas vezes me limite a opiniões 'pobres', porque sinceramente não tenho muito a dizer. No caso deste post, não percebo nada de cinema português e não queria estar aqui a escrever patacoadas...

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  9. Vamos mas e ser originais

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  10. Anónimo9/7/13 20:37

    O cinema Português tem um estilo próprio, isso te garanto, e dizer que os filmes portugueses não sao apreciados la fora e que antigamente é que era com o pátio das cantigas, isso é tudo treta. Enquanto se faziam essas comédias, la fora já se tinham feito filmes como o Metrópolis ; M ; Nosferatu ; La regle du jeu ; O couroçado Potemkin ; etc...

    Só para teres uma noção, um realizador chamado Pedro Costa teve uma retrospetiva no famosícimo museo ingles "Tate Modern"

    Dizes que os filmes portugueses deveriam ser feitos para o público, e que hoje são para os intelectuais... Tens de perceber, que assim como as outras artes evoluem para ramos mais modernos e experimentais, com diferentes estratégias narrativas e formais, o cinema também deve evoluir, mas parece que esta arte ainda está muito agarrada ao preconceito de ter de "entreter a malta". Os filmes do Manuel de Oliveira, do João César etc... Não são feitos para os intelectuais, pois a sua temática refere-se a todos nós, aos portugueses, ao homem em si... Mas como são feitos de uma forma não muito convencional, o público geral tende a "desligar-se" e a distanciar-se, e, sem ter bases para fazer críticas, critica como se fosse um atentado contra a humanidade. Diz-me, achas que uma adaptação do livro "Amor de perdição", é para intelectuais? E no entanto foi feita pelo "mestre do tédio" (como lhe chamas) Manoel de Oliveira.

    No fundo, o cinema português tem uma liberdade para fazerem o que querem (os realizadores), e como tal, têm espaço para experimentar novas narrativas, novas formas de filmar, mas infelizmente, as pessoas têm resistência à mudança, e aversão a coisas pouco convencionais

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    1. Olá Anónimo. Escrevi este post há três anos, e quanta coisa mudou. Nomeadamente, comecei a escrever algumas coisas mais fundamentadas e a ver mais cinema português. Algumas críticas a filmes nacionais, como Tabu, O Estranho Caso de Angélica, Tarde Demais, Alice, Aniki-Bobó e outros estão disponíveis na secção deste blog «Índice de Críticas de Cinema». Aconselho a espreitadela, mudei muito a minha opinião em relação ao que escrevi neste texto de 2010.

      Não vi ainda o «Amor de Perdição», e apesar de ter tido algumas desilusões com o Cinema mais recente de Oliveira, tenho uma grande curiosidade em ver esta sua adaptação. Já não vou por ideias feitas.

      Obrigado e um Abraço anónimo,
      Rui Alves de Sousa

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    2. E também é preciso dizer que, felizmente, a minha veia cinéfila extendeu-se mais a outros géneros e a outras correntes...

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