quinta-feira, 8 de abril de 2010

A 5.ª parte do policial...

E cá vem mais uma parte do policial made by Rui, para meia dúzia de pessoas ler.

Mas mais vale assim do que nada...

Aliás, se for uma meia dúzia de leitores que comentam os meus posts e me ajudam com o blog, que é o caso, tudo bem!

Olho Morto, Detective Público

Um caso muito particular

Parte 5

Entrei na casa, depois do André.
E não, ele não disse para eu entrar primeiro. Entrou logo. Continuava o mesmo rude de sempre.
Segui-o até à sala. Era muito grande, e talvez, a minha sala cabia 4 vezes na dele.
Ele sentou-se numa poltrona vermelha, de veludo. De vista parecia confortável. Daquelas que quando se senta se apetece soltar um «aaah que confortável».
Eu sentei-me numa poltrona ao lado dessa, mais pequena, e de cor verde, e era um bocado dura. Eu não tinha experimentado a outra, mas parecia-me que era mais confortável que esta.

O André começou a conversa.
-Então, Nelo! Já não nos víamos há quê? Há...
Completei-lhe a frase.
-25. Há 25 anos que não nos víamos, André. Desde o último dia de aulas do nono ano.
Estava-me mesmo a apetecer dizer «E se queres que te diga foram 25 anos que se podiam prolongar por 50!», mas não queria causar chatices agora, que tinha começado este caso.

-E conta-me coisas. Como vai a tua vida?
-André, agora não tenho tempo para conversas de café...
-Ah, por falar nisso - interrompeu-me ele - não queres tomar nada? Um whisky? Um café?
-Olha, tens água com gás?
-Sim, devo ter.
-Então, poderias-me trazer uma?
-Tudo bem.
Eu acho que ele deve ter achado estranho alguém pedir para tomar uma água com gás. Ele deve pensar que toda a gente gosta de beber um café ou um whisky, e quem não bebe é estranho. Caramba! Só que não me estava a apetecer nem uma coisa nem outra! Pronto! E tinha bebido um café de manhã, agora só depois do almoço.
-Aqui tens - trouxe-me uma garrafa de água gaseificada, sem a carica, com a qual eu gosto tanto de brincar...
Agradeci. Ele tinha trazido para ele um copo de Tinto.

Ele voltou-se a sentar e retomou a conversa.

-Mas conta-me lá, que é feito de ti, homem?
-Olha André - disse-lhe - eu há bocado estava a tentar-te dizer que não tenho tempo para estar a conversar sobre a minha vida. Eu tenho um caso para resolver e o teu depoimento pode ser precioso.
-Ah, OK. - disse ele.
-E para isso, precisava de te fazer umas perguntas, pode ser?
Ele assentiu.
-Bom, vou começar então. - Peguei no meu gravador de bolso, liguei-o e virei-o para o André. - Preciso que me contes o que se passou na noite passada.
-Bom, sabes, cheguei lá, passavam poucos minutos das nove da noite. A hora exacta não te sei dizer. Já tinham chegado pessoas, mas poucas. O Rui estava lá, todo contente, a falar com toda a gente.
-Quem é que já tinha chegado?
-A Lídia, eu, o Miguel, o João e a Marta. Mais ninguém.
-E notaste alguma coisa de estranho, nessa altura?
-Não, estava tudo normal. Entretanto, começaram a vir mais pessoas, até que chegou toda a gente. Às 22h15, começou o jantar. Tudo normal, nada de invulgar. Conversava-se dos tempos idos da escola, mostravam-se antigas fotografias uns aos outros, contavam-se histórias. Até que, faltavam 10 minutos para as onze, e o Rui queria fazer um brinde. Ora, no momento em que levantou o copo do champanhe, de repente, tombou no chão. Foi aí.
-OK - finalizei. - É tudo o que sabes?
-Sim.
-André, não te lembras de mais nada?
-Bom, assim de repente, não.
-Muito bem - desliguei o gravador. - Obrigado pelo teu depoimento. Agora tenho de interrogar mais pessoas. Mas se te lembrares de alguma coisa, liga-me.
Dei-lhe o meu cartão de visita. Muito simples, até. Branco, com o meu nome, profissão e contactos centrados.
Saí de casa dele e meti-me no meu carro e conduzi para o escritório. Devia ter tirado as moradas de todos logo! Assim, se fosse um de cada vez, iria gastar rios de dinheiro em gasolina!
Na viagem, meditei um pouco. Porque será que o Rui quis reunir toda a gente da turma? Ele que dizia sempre que a detestava. Eu, por acaso, até nem achava má a turma. Um pouco irrequieta, talvez, e com uma cambada de parvalhões, mas nada que fugisse do que é considerável normal.
Foi uma turma que durou 9 anos. Estivemos todos numa escola até ao 9.º ano.
Agora, iria ter oportunidade de rever alguns amigos, e certas pessoas desprezíveis, e os inimigos.
Será que alguma dessas pessoas que considerava minnhas amigas será culpada deste crime?
Em breve poderei responder a essa pergunta. Mas falta muito para chegar à resposta...

Continua...

3 comentários:

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