quinta-feira, 18 de março de 2010

A terceira parte de um policial, julgo que de minha autoria...

E aqui está, o terceiro capítulo com um caso do Detective Público Olho Morto, acabadinho de sair do forno! Vejam lá, não se queimem...
Mas se não ficaram a par dos acontecimentos dos capítulos anteriores, podem sempre lê-los aqui.

Olho Morto, Detective Público

Um caso muito particular

Parte 3

Ao olhar para o cenário que envolvia a casa onde tinha ocorrido o crime, pareceu-me que este se assemelhava a um daqueles filmes de terror da treta que sempre desprezei. A casa ficava como que isolada do resto do mundo. Não havia nenhuma outra casa à volta. Nenhuma. Zero. Ficava numa rua calminha, afastada um pouco do resto de toda a Lisboa movimentada e stressada.

Era uma vivenda, bem grande aliás, com um grande jardim na entrada. Entrei naquela casa, e encontrei lá dois polícias a olharem à volta desta. Poderiam estar a ver se encontravam algum indício que os levasse ao criminoso, mas não. Estavam a olhar para os cantos da sala de estar onde ocorreu o crime para verem se me tentavam enganar, a fingirem que trabalhavam. Fui ter com um deles, e comecei a fazer-lhe perguntas habituais.

-Então, o que é que se passou aqui? - perguntei.
-Ó senhor Morto, passou-se...
-Desculpe, eu sou Olho Morto. Senão parece que você está a falar com um cadáver!
-Peço desculpa, Sr Olho Morto. Bom, como eu estava a dizer, passou-se que a vítima foi assassinada.
Foi aí que eu me passei.
-OLHE! NÃO ME DIGA! A SÉRIO? ENTÃO O QUE É QUE ACHA QUE ESTOU AQUI A FAZER, SEU CRETINO?
Já o facto de eu ser uma pessoa muito nervosa e cheia de tiques não ajudar, agora tenho de aturar certas bestas parvas!
Aquele policiazeco fez-me lembrar o Finório, que não veio comigo e preferiu ficar no escritório a fazer esculturas com... palitos. Coitado. Cada maluco com a sua mania...

Mas ele logo respondeu:
-Desculpe, Sr Olho Morto! Desculpe! É que, sabe, ontem não consegui dormir nada, estava a dar um filme giro na televisão, e depois deu outro, e mais outro...
-Pronto, pronto, está bem. Então VÁ PÔR ÁGUA NESSA FUÇA A VER SE NÃO CONTINUA A DORMIR EM PÉ! DESAPAREÇA DA MINHA VISTA! VÁ PARA CASA, HOMEM!
Acho que com os meus berros ele conseguiu ficar bem acordado, mais tarde... eheheh.
Agora, só tinha mais um polícia a quem perguntar qual era o ponto de situação do crime. Rezei a todos os santinhos para que ele não me enervasse também.
Só que ele, ao assistir à conversa que eu tive com o outro polícia, ficou com um bocado de medo de mim. Eu, que até era mais baixo que ele, conseguia impôr respeito junto dos mais altos!
-Ó senhor agente, diga-me lá como é que isto tem andado.
-Se...se...se...nhor...nhor... NÃO ME FAÇA MAL! EU TENHO MULHER E 2 FILHOS MUITO BONITOS! NÃO ME FAÇA MAL!
-Mas quem é que lhe vai fazer mal, homem?
-O SE...SE...SE...NHOR!
-Mas eu não lhe quero fazer mal! Vá, recomponha-se, homem!
-Ah, então não...não...não me vai fazer...zer...zer... mal?
-Claro que não!
-Ah, então 'tá bem.
Agora eu já nem sabia qual dos dois polícias era mais maluco...
Este que mudou logo de carácter quando eu lhe disse que não lhe ia fazer mal, ou o outro que faz directa para ver 3 filmes de seguida!
-Mas diga-me lá então, já descobriram alguma coisa?
-Sr Morto, parece que...
-JÁ TINHA DITO AO SEU COLEGA PARA ME TRATAREM COMO OLHO MORTO! BOLAS! NÃO SOU NENHUM CANGALHEIRO!
-Pronto! Pronto! Desculpe, ai! Veja lá se se ofendeu...
Ofender-me, eu! Para uma pessoa que há um minuto estava a gaguejar de medo, agora está a habilitar-se à sorte grande.
-Homem, não estou com pachorra para aturá-lo. Portanto responda-me! COMO É QUE VAI ISTO?
-É assim, sr Olho Morto, recebemos uma chamada da empregada do Rui ontem, por volta da uma e meia da manhã, a explicar o sucedido. Eu e o meu colega chegámos cá cerca de 20 minutos depois. A vítima não foi esfaqueada nem lhe deram um tiro, pois não há indícios disso. Há bocadinho recebi um SMS do nosso departamento de autópsias e disseram que a vítima tinha ingerido uma substãncia que, ao ser engolida, faz com que o sistema circulatório da pessoa que ingeriu tal substância pare, fazendo com que a pessoa morra. Disseram que a substância está contida num pó, portanto alguém deve ter posto este veneno na comida ou na bebida do Rui Sousa. Só que ainda não começámos a interrogar os suspeitos.
-E quantos são? - perguntei. Finalmente eu estava a ter as informações que eu queria!
-São 19 suspeitos.
-Comigo e com o Rui dá um total de 21. Então foi mesmo a turma toda da primária ao jantar excepto eu! E já agora, porque é que eu não sou também suspeito? Também podia ter sido eu!
Queria agora chatear o polícia, e testar também a ver o que ele dizia.
-O Sr Olho Morto não é suspeito porque nós sabemos o que andou a fazer à hora do crime.
-E o que é que eu estava a fazer, então, hmm? Diz-me lá...
-Você estava com o seu chefe. Estavam os dois, mais o seu ajudante Finório, a assistirem à repetição de um jogo do Benfica na SporTV. Foi o seu chefe que me contou.
Chiça, afinal tinha-me enganado! O polícia sabia mais do que eu imaginava. Não era só uma pessoa que mudava de temperamento muito facilmente, mas também um absorvente de informação!

Mas agora eu tinha era de pensar no caso que tinha pela frente...

Continua...

3 comentários:

  1. opaa, agora tens de publicar o resto rapido

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  2. Deixa ver se percebi...tu mataste-te a ti próprio?

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  3. É assim, eu fui morto, não me matei...
    na história, é claro...
    e agora o detective vai ter de descobrir quem, de vários suspeitos, me matou!

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